O cascudo preto é outra espécie nobre do Rio Paraná que já entrou em processo de extinção comercial. A espécie, que vivia nas rochas submersas de Sete Quedas, teve sua população reduzida em mais de 90% depois do derrocamento feito para abrir um canal de navegação no leito do rio.
Em 1996, o DER explodiu parte das rochas para aprofundar o canal e permitir a passagem de embarcações de grande calado. Cerca de 300 pescadores de cascudo preto movem uma ação de indenização contra o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) pelos prejuízos sofridos.
Parte dos peixes morreram na explosão. Outra parte morreu depois de uma doença misteriosa. ‘‘Não sabemos que doença é, nem podemos afirmar que seja consequência do derrocamento, porque coincidiu também com um derramamento de vinhaça no Rio Amamba풒, disse o coordenador do Núpelia, Ângelo Antônio Agostinho.
Ele afirma ainda que a redução da população não é consequência apenas do derrocamento, mas também do assoreamento progressivo os leitos rochosos do rio e da pesca intensiva.
Antes do derrocamento, cerca de 700 pescadores receberam do DER uma indenização preliminar correspondente ao período que ficariam impossibilitados de pescar, até um ano depois das explosões.
‘‘O DER se comprometeu a discutir uma nova indenização, caso o derrocamento comprometesse a pesca depois, mas não cumpriu o acordo. Mais uma vez, os pescadores tiveram de recorrer à Justiça’’, disse o advogado Aparecido Martins. (V.M.)

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