Cascavel volta a sofrer com vendaval
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoDestruiçãoÁrvores arrancadas pelo vento forte estavam sendo retiradas ontem na região central da cidade; destelhamento também causou prejuízosA frequência de vendavais está criando situação de instabilidade social em Cascavel. Domingo à noite, várias árvores foram arrancadas e telhados danificados pelo vento acompanhado de forte chuva, mas os estragos foram menores que nas duas ocorrências no início e final de setembro. Ontem, circulou o boato de que a mística Mãe Diná, de São Paulo, teria enviado fax ao prefeito Salazar Barreiros (PPB) alertando para um vendaval que causaria grande destruição.
O prefeito ficou surpreendido com os boatos, dos quais não sabe a origem, pois não recebeu nenhum fax da vidente. A sinistrose chegou ao ponto de pessoas ligarem para residências, sem se identificar, pedindo corrente de oração para evitar uma catástrofe. Quem liga diz que a sagrada família está em sua casa para lhe proteger e quem recebe o telefonema é encarregado de fazer três outras ligações.
Este tipo de corrente teria se iniciado no Rio Grande do Sul, onde havia previsão (não confirmada) de vendaval no final de semana. O radialista Celsuir Veronese recebeu inúmeras ligações ontem em seu programa de variedades na Rádio Colméia de ouvintes relatando que receberam os telefonemas, muitos deles citando a previsão de Mãe Diná. Mais tarde, o chefe de jornalismo Ivan Zucchi relatou que outras pessoas, empenhadas na corrente, foram à emissora para explicar que a vidente nada tem a ver com vendaval.
Ilda Riboli, 70 anos, viúva, moradora no bairro São Cristóvão (leste da cidade) com duas filhas, diz que não acredita em vidente, inclusive por ser católica fervorosa. Queimei muitas velas e palmas bentas e rezei muito na igreja, admite.
Árvores arrancadas pelo vento ainda podiam ser vistas ontem e os telhados danificados não puderam ser consertados porque as chuvas continuaram. A região do Parque Ecológico, na zona oeste, foi uma das mais atingidas. Um hotel teve a maior parte da cobertura arrancada. Nos últimos 30 dias, Cascavel foi atingida por três vendavais, atribuídas ao fenômeno El Ni¤o - aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
Em 1995, mais de 10 mil edificações sofreram grandes danos, algumas inteiramente destruídas. Preocupado com a repetição e a calamidade pública decorrente, o prefeito Salazar Barreiros está esperando entidades e órgãos públicos indicarem nomes para que possa compor a Comissão Municipal de Defesa Civil. O órgão deve promover ações preventivas e organziar o socorro à população, atuando em conjunto com a Defesa Civil do Paraná.
Nova Laranjeiras A cidade de Nova Laranjeiras (125 km a leste de Cascavel) ainda não se recuperou inteiramente do vendaval do dia 13 de junho, que matou três pessoas, destruiu 127 casas e atingiu 381 parcialmente. Foi a maior catástrofe do gênero registrada no País. Segundo o prefeito José Lineu Gomes (PMDB), 40 casas ainda não foram reconstruídas e 80 aguardam reparos, assim como alguns prédios comerciais e indústrias. Na zona rural, 170 estábulos, chiqueirões e paióis desapareceram.


