Cascavel tem caso que criou polêmica
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sábado, 05 de maio de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
O Conselho Regional de Medicina de Cascavel (CRM) ainda espera que seja feita uma denúncia formalizada contra a ginecologista e obstetra Sônia Amorim para iniciar a investigação de negligência. A médica está sendo acusada por oito mães cujos filhos sofreram paralisia cerebral no parto e apresentam sequelas. O Ministério Público já vem investigando o caso e tomando depoimentos de mulheres atendidas por Sônia Amorim.
O delegado do CRM, Keithe Fontes, afirmou na última sexta-feira que ouviu boatos de que as mulheres que procuraram o Ministério Público estarão formalizando a denúncia no Conselho ainda esta semana. Ele reafirmou que a partir do registro da queixa será nomeado um conselheiro que desenvolverá o trabalho de sindicância. Enquanto não formalizarem a denúncia, estamos impossibilitados de investigar. Afinal, enquanto não houver queixa não há motivo para montar uma sindicância, diz.
Keithe Fontes acrescentou que o Conselho não pode atuar como polícia e investigar profissionais, sem que exista um motivo real. Ele ressalta que se as pessoas tiverem algum temor em fazer a denúncia, poderão fazer anonimamente. O importante é ter a denúncia, mesmo sem identificar a pessoa. Infelizmente esse é um hábito do brasileiro que fala, mas tem medo na hora de escrever seu nome e exigir seus direitos, observa.
O delegado do CRM explica que o membro do Conselho escolhido para desenvolver o trabalho de sindicância, realizará um trabalho completo, ouvindo as partes envolvidas para depois decidir sobre o andamento do processo. Após a conclusão da sindicância, se for comprovado que houve negligência ou imperícia médica, o Conselho de Ética do CRM decidirá a punição que a médica Sônia Amorim poderá sofrer. As punições variam desde uma advertência reservada até a cassação definitiva do diploma, impedindo que a médica continuasse a exercer sua profissão.
O promotor público Marcelo Correia solicitou ao CRM um histórico profissional da médica Sônia Amorim, para constatar se existem outras denúncias de negligência. A assessoria jurídica do CRM em Curitiba informou que o histórico só pode ser fornecido com uma solicitação formal da profissional, ou então, de uma solicitação do CRM local.
Correia também oficiou todas as varas cíveis para que informem se há processos individuais de indenizações contra Sônia Amorim. Em um primeiro momento, o promotor está colhendo depoimentos de todas as pessoas que tiverem denúncias a fazer. A médica será a última a ser ouvida.
Algumas denúncias graves foram feitas contra a médica, como a de Rosane Nascimento. Ela afirma que a médica lhe ofereceu carro, terreno e dinheiro para a família ficar quieta. Ela conta que chegou ao hospital à noite e com a bolsa rompida, mas ao invés de atendê-la, a médica lhe deu um medicamento e só voltou para fazer o parto na tarde do outro dia. O bebê nasceu preto. No próprio hospital ele começou a ter convulsões, explica.
Em um primeiro momento, a médica Sônia Amorim disse que são necessárias provas contundentes para que as pessoas lhe condenassem. Depois afirmou que só voltaria a falar sobre o caso quando as investigações estiverem concluídas.


