Em 1990, o casal Maria e Paulo Ivasita decidiram tentar a vida no Japão. Com quatro filhos com idades entre 9 e 19 anos, a opção foi deixá-los com os avós paternos e tentar administrar a saudade e a distância da melhor maneira possível. Foram aproximadamente dez anos trabalhando no Japão. As visitas à família no Brasil eram esporádicas. ‘‘Foi muito difícil para os nossos filhos, eles choravam, sentiam saudades, principalmente a filha mais nova, que na época tinha nove anos’’, diz Maria.
Lidar com o sentimento de culpa também não foi um processo fácil. ‘‘Até hoje a nossa filha caçula, que agora tem 20 anos, reclama e fala do quanto se sentiu abandonada. Nessas horas penso que poderíamos ter ficado mais tempo, até que eles crescessem mais, mas financeiramente valeu a pena’’, conforta-se.
Há seis meses no Brasil, dedicando-se à reforma da casa, o casal, Maria, 54 anos, e Paulo Ivasita, 59 anos, acredita que ainda será necessário voltar. ‘‘Se faltar dinheiro, vamos ter que voltar, porque infelizmente o Brasil não é bom pra ganhar dinheiro. Mesmo assim, tem um modo de viver mais sadio, a alimentação e o clima são bem melhores do que no Japão’’, observou Paulo.
Hoje os três filhos mais velhos do casal estão formados, casados e moram no Brasil. Mas a filha mais nova, que sofreu quando os pais foram embora, está trabalhando no Japão, na revisão de peças de computadores, e enfrentando os primeiros reflexos da crise econômica no país.
‘‘A situação não está fácil. Ela sempre liga contando que muitos dos seus amigos brasileiros foram demitidos ou recebem folgas semanais de três dias que são descontadas no pagamento. E é claro que ela também fica preocupada com o futuro do seu emprego’’, comentou a mãe.

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