Casa nova e velhos problemas
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domingo, 06 de novembro de 2011
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Bastou andar alguns minutos pelo bairro Nova Esperança (Zona Sul) para encontrar diversas crianças com menos de 5 anos fora da creche. O mais agravante é que o bairro é novo - tem pouco mais de um ano e é fruto do Programa ''Minha Casa, Minha Vida'' - e a população não conta com vagas nas instituições ao redor e dezenas de crianças estão fora da escola.
A situação é recorrente em outras regiões da cidade. A promotora Yara Faleiros Guariente, da Vara da Infância e Juventude de Londrina, cita que a maior preocupação, hoje, são as crianças que se mudaram para o Residencial Vista Bela, na Zona Norte, onde não há instituições para acolher a população de até 5 anos.
Ex-moradora do Distrito de Maravilha, a dona de casa Sueli Martins, de 25 anos, e, agora, no Nova Esperança, é refém da falta de vagas para os filhos. ''Me mudei para Londrina acreditando que as coisas iriam mudar, que teria mais condições de trabalho e as crianças poderiam estudar, mas nada disso aconteceu'', conta ela, que é mãe de três crianças, Raquel, 9, Lian, 5, e Mateus, 4. Todos não frequentaram creches e só a mais velha está matriculada. Os dois menores aguardam na lista de espera.
Para a mãe, que sonha em ''formar'' os filhos, o mais difícil é ver os menores olhando com curiosidade a irmã fazer tarefa da escola. ''Eles têm muita vontade de escrever, de desenhar, mas eu não sei ensinar'', lamenta. Os pequenos só sabem fazer bolinhas. O deficit é facilmente percebido numa conversa com as crianças. Quando questionados sobre as cores e os bichos da camiseta, nenhum esboço do que se tratava. Só sorrisos envergonhados. Depois de ganhar a confiança, Lian garante: ''Quando eu for para escola, vou escrever meu nome''.
Duas ruas acima, outra família enfrenta o mesmo drama. Débora da Silva Leal, de 35 anos, divide o tempo entre os três filhos, sendo uma bebê de apenas 3 meses. ''O mais velho de 7 anos agora está na escola, mas o menor, hoje com 5, está na fila de espera por uma vaga na creche desde o ano passado. Já me disseram que ele só vai conseguir para o pré'', diz a mãe, que cuida sozinha das crianças. Para ela, quando morava no Cafezal e o menino frequentava a creche, era visível o desenvolvimento dele. ''A fala do meu filho só 'desenrolou' depois que entrou na escola. Mas agora ele parou de progredir'', compara.
E se o aprendizado do filho preocupa, o fato de não ter com quem deixar as crianças é outro obstáculo. ''Eu sempre trabalhei na minha vida, mas como vou fazer agora? Não quero ficar dependendo de doações, da ajuda da pessoas'', desabafa. Um dos quesitos para que consiga vaga para os filhos é que esteja trabalhando. ''Acabamos todos prejudicados. Eu, que não consigo trabalhar, e eles, que não vão para escola. Quero que eles sejam alguém nessa vida. Eu sei quanto o estudo é importante.''


