Caras repetidas - De cada 10 candidatos, 6 já concorreram em outras eleições
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2014
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
A cada eleição, as propagandas são inundadas por clichês que pregam "renovação" e "sangue novo" na política. Entretanto, a prática mostra que a tendência é a perpetuação de caras conhecidas no poder. Reportagem da FOLHA publicada no dia 11 de agosto mostrou que na Assembleia Legislativa do Paraná os mandatos dos deputados estaduais que estão na Casa há duas ou mais legislaturas somam mais de 400 anos. Naturalmente, a maioria dos parlamentares estaduais e federais busca a reeleição em outubro ou então outros cargos.
Apesar do discurso de mudança que muitos políticos adotaram após as manifestações de junho de 2013, os partidos e chapas mostram menos poder de renovação no pleito deste ano no Paraná.
A FOLHA realizou uma pesquisa nas fichas de todos os 1.237 candidatos paranaenses registrados na Justiça Eleitoral para a disputa de vagas para o exercício de sete cargos: governador, vice, senador, primeira e segunda suplências de senador, deputado estadual e deputado federal. Os perfis estão disponíveis no Sistema de Divulgação de Candidaturas (DivulgaCand) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Do total de candidaturas locais, apenas 499, ou 40,34%, são de postulantes que não disputaram nenhuma outra eleição para qualquer cargo desde a eleição de 2006, última com dados disponíveis no DivulgaCand o TSE fez uma grande atualização na sua área de informática naquele ano. Na eleição de 2010, a proporção de candidatos que não haviam participado de outras eleições desde 2006 era maior: 46,81%. Os dados incluem os pleitos estaduais e federais de 2006 e 2010 e municipais de 2008 e 2012.
É importante frisar que, como os registros do DivulgaCand possuem dados somente a partir dos últimos oito anos, os candidatos que aparecem como não tendo participado de outras eleições desde 2006 não são necessariamente "estreantes". Se um político não se candidatou entre 2006 e 2012, mas havia sido candidato em 2004, por exemplo, esta participação não consta nos dados. Mas a proporção apurada pela FOLHA dá uma ideia da renovação dentro das chapas registradas pelos partidos junto à Justiça Eleitoral.
O cientista político Emerson Cervi considera que a diminuição da porcentagem de novos candidatos em relação a pleitos anteriores não representa exatamente conservadorismo de partidos e chapas.
"As eleições, especialmente as proporcionais, definem muitos cargos. Em 2012, nós tivemos mais de 400 mil candidatos para mais de 50 mil cadeiras de vereador em todo o Brasil. Não há gente para gerar uma renovação de 80%, 90%. Por um lado, isso é ruim, porque indica que há um grupo da sociedade que se dedica a participar da política e outro que não, não necessariamente por ser apolítico, mas por talvez entender que esse não é o caminho mais apropriado", diz Cervi.
O cientista observa também que a vida política demanda persistência e aperfeiçoamentos, o que faz com que muitos insistam em candidaturas ou sigam buscando outros cargos.
"A política exige um certo grau de profissionalismo e expertise. Raramente um candidato é eleito quando concorre pela primeira vez. O candidato vai se aperfeiçoando. Ou então ele é vereador, e se candidata para deputado estadual não para ser eleito, mas para fazer nome para a eleição seguinte, e assim por diante", explica.
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