A grande campanha cívica, cujos dois últimos comícios reuniram 2,5 milhões de pessoas, não teve final feliz. A derrota da emenda constitucional proposta por Dante de Oliveira (PMDB/MT), votada pela Câmara Federal em 25 de abril de 1984, foi uma ducha de água fria na opinião pública. Apesar de tamanha pressão, a proposta (apresentada no Parlamento no dia 2 de março de 1983) foi rejeitada em uma interminável sessão que durou 17 horas e só acabou na madrugada, por receio da reação popular, que, por fim, foi pacífica.
Faltaram 22 votos para que a matéria avançasse ao Senado, já que a alteração constitucional exigia aprovação de dois terços da casa (ou 320 votos): 65 deputados votaram contra, 113 se ausentaram e três preferiram a abstenção. Restou ao País a eleição indireta para presidente, quando dois civis disputaram o cargo. Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB) foram os indicados. Com o apoio das mesmas lideranças das Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa, em 15 de janeiro de 1985.
Pouco tempo depois, porém, cairia doente, falecendo em 21 de abril do mesmo ano, antes de assumir o cargo. Seu vice, José Sarney, tornou-se o primeiro presidente civil após a ditadura militar (1964-1985).
As primeiras eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988, na qual foi eleito Fernando Collor de Mello, que tornou-se protagonista do primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992. Ele renunciou ao cargo em dezembro daquele ano, ficando inelegível por oito anos. (S.L.)

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