CAIF é destaque na cura de lábio leporino
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sábado, 04 de agosto de 2001
Andréa Lombardo<BR>De Curitiba 
Curitiba é sede do único centro do Sul do Brasil a tratar pessoas com malformações congênitas de face. Noventa e cinco por cento dos pacientes são vítimas de fissuras congênitas nos lábios e céu-da-boca ou lábios leporinos como é mais conhecida a malformação. O Centro de Atendimento Integrado ao Fissurado Lábio-Palatial (CAIF), que foi recentemente reconhecido pelo Ministério da Saúde como centro de excelência na reabilitação desses pacientes, só perde, em número de atendimentos, para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, que existe há mais de 30 anos, em Bauru, São Paulo. O CAIF é mantido pela Secretaria Estadual da Saúde e funciona ao lado do Hospital do Trabalhador, no bairro Portão, onde são realizadas as cirurgias.
O centro recebe pacientes de todos os cantos do Brasil, mas a maioria vem de cidades do Interior do Paraná e de Santa Catarina. Por mês, cerca de 45 a 50 pessoas são operadas no CAIF, sendo que 70% delas são recém-nascidos. De acordo com o cirurgião plástico, Renato Freitas, um dos dois cirurgiões que atendem no CAIF, a cirurgia de junção do lábio é rápida (leva em torno de 20 a 30 minutos), mas extremamente delicada, pois se trabalha com tecidos muito finos.
A paciente Naiara Bochnia Lopes, de 3 meses, que nasceu com fissura no lábio, veio de Mamborê (36 quilômetros ao sul de Campo Mourão) para fazer a cirurgia. Segundo a mãe, Rosélia de Fátima Bochnia, foi no posto de saúde de sua cidade que soube da existência do centro.
O caso de Naiara é um dos mais simples, pois foi necessária apenas uma intervenção cirúrgica para corrigir o lábio. A maioria dos pacientes passa por mais de uma cirurgia, como foi o caso do menino Elinton Rafael Pechebea Mol, de 7 anos. A mãe, Terezinha Pechebea Mol, moradora em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), conta que Elinton começou o tratamento com 4 meses de idade, quando fez a cirurgia no lábio. Ao completar um ano e sete meses passou pela segunda cirurgia, desta vez no céu-da-boca, que também apresentava uma fissura. Elinton já recebeu alta do tratamento com a fonoaudióloga e, agora, continua o tratamento com psicólogos, dentistas e otorrinolaringologista.
Lucas Becker, de dois anos e oito meses, segundo a avó Irene Matozo Becker, também já foi submetido a duas cirurgias. A primeira, quando tinha 6 meses, para corrigir o lábio, e a segunda cirurgia com um 1 ano de idade. Irene diz que o neto ainda terá que passar por uma terceira intervenção, desta vez na gengiva. Mas isso só ao completar 8 anos. Quando estiver com 15 anos, ele complementará o tratamento com uma cirurgia plástica, comenta.
O médico Renato Freitas explica que a correção da fissura no palato (céu-da-boca), quando exige enxerto ósseo, só é feita quando o paciente chega aos 8 ou 9 anos de idade, pois é necessário retirar a crista ilíaca (parte do osso da bacia) do próprio paciente para fazer o enxerto. Atualmente, o CAIF trabalha, também, em conjunto com Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que doa o material de seu Banco de Ossos.
De acordo com Freitas, o segundo caso de malformação congênita mais frequente tratado no CAIF é o de microssomia craniofacial (quando um dos lados do rosto tem o crescimento mais lento que o outro) e que ocorre na proporção de um para cada 5 mil recém-nascidos. Nesses casos, o paciente pode nascer sem o pavilhão da orelha, sendo necessária sua reconstituição por meio de cirurgia plástica. Nos últimos dois anos, segundo Freitas, 30 pessoas passaram por esse tipo de intervenção no CAIF.
João Pedro Medeiros, 7 anos, é um dos pacientes com microssomia craniofacial, tratados no CAIF. Ele foi operado no último dia 22 de fevereiro. A reconstituição, segundo o cirurgião plástico, é feita com o uso da cartilagem que é retirada da costela do paciente. Essa cirurgia é feita, normalmente, quando o paciente completa 7 anos, pois com essa idade já há cartilagem suficiente para a reconstituição, esclareceu.
João Pedro veio acompanhado do pai, Odair Medeiros, de Fortaleza dos Valos, cidade do interior do Rio Grande do Sul, distante 700 quilômetros de Curitiba. Odair diz ter ficado surpreso com a qualidade do atendimento do CAIF. Não imaginava que pudéssemos ter, no Brasil, um serviço desse nível. Aqui, os profissionais se preocupam não só com a reabilitação do paciente, mas, especialmente, com sua reintegração à sociedade. Por outro lado, Odair acha lamentável ter ficado sabendo da existência do CAIF por acaso. É realmente uma pena que esse trabalho não possa ser mais divulgado, porque sua deficiência estrutural não permitiria atender uma demanda maior de pacientes.


