Com a finalidade de amenizar o custo da renovação de cafezais atingidos pela geada em 1953 no Norte do Paraná, soja intercalada seria uma alternativa. E da sugestão, efetivada somente após a geada em 1955, resultou um avanço da leguminosa no Estado, de 18 hectares para 1.922 e produção de 1.960 toneladas, informam Emídio Rizzo Bonato e Ana Lídia V. Bonato ("A Soja no Brasil – História e Estatística" – CNPSo., 1987).
Em 1963, depois da geada e os incêndios na zona rural, o presidente do IBC, Nelson Maculan – também para atenuar as dificuldades dos cafeicultores –, incentivou a produção de alimentos, pela distribuição de sementes, inclusive de soja, trazidas do Rio Grande do Sul, conforme Irineu Pozzobon.
"Eu recebi os vagões, 35 ou 40 toneladas", recorda Anésio Sacoman, à época no Serviço Regional de Assistência à Cafeicultura (Serac) em Londrina. "Podíamos ceder até cinco sacas por cafeicultor; emitíamos uma promissória, para ele pagar quando colhesse." Sacoman conta que até 1986, quando se aposentou no IBC, não tinha notícia de ressarcimento: "Adivinhe. Até hoje ninguém pagou, foram (as sacas) doadas..."
Segundo Pozzobon, "como não havia mercado estruturado para compra da produção, a soja passou a ser recomendada para adubação verde, fornecedora de nitrogênio". Conclui-se que, por um brevíssimo momento, houve uma "dobradinha" ou "consórcio" café-soja. (W.S.)

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