O endocrinologista pediátrico Claudinei da Costa, de Londrina, é enfático ao analisar a tendência crescente dos adolescentes se submeterem a procedimentos invasivos ou mesmo abusarem do uso de suplementos alimentares na busca do "corpo perfeito". "Nem sempre o padrão de beleza vigente na época está associado ao corpo saudável", afirma.
Segundo ele, o "corpo perfeito" tão almejado por meninas e meninos deve ser aquele submetido a uma rotina de vida que inclua sono adequado, atividades físicas e alimentação que contenha os nutrientes básicos ao pleno desenvolvimento das crianças e adolescentes, que são encontrados no leite, nas frutas e no tradicional prato de arroz, feijão, carne e salada. "A busca de um padrão estético imposto pela moda pode quebrar o ciclo de desenvolvimento pleno e causar prejuízos à saúde futura", enfatiza.
Sobre o uso indiscriminado de suplementos, ele explica que os produtos conhecidos como "pré-treino", utilizados antes dos exercícios nas academias, contêm dilatadores - que podem causar hipertensão ou prejuízos renais - e estimulantes, passíveis de gerar irritabilidade e dor de cabeça, entre outros sintomas.
Já os hormônios, procurados principalmente pelos meninos que buscam ganhar massa muscular, oferecem risco de gerar atrofia testicular, impotência e infertilidade na idade adulta, além da probabilidade da pessoa ficar agressiva. "Por isso, devem ser usados apenas com indicação específica, quando há disfunção hormonal", afirma.
O especialista alerta também para os riscos dos suplementos alimentares, encontrados facilmente na forma de proteínas e aminoácidos, carboidratos e creatinina. Segundo ele, esses produtos são indicados para adolescentes que são atletas de alta performance, gestantes ou em processo de recuperação de determinadas doenças. "Não são indicados para ganhar massa muscular", enfatiza, lembrando que os suplementos devem ser prescritos apenas por profissionais habilitados.
Costa acrescenta que a sobrecarga de nutrientes, como as proteínas, acaba eliminada pelo próprio organismo ou, pior, prejudica alguns órgãos.(C.A.)

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