Brasileiros que conseguirem guardar dinheiro podem ter boas oportunidades
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domingo, 04 de janeiro de 2015
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Quem conseguir guardar dinheiro terá boas oportunidades em 2015. Aqueles que, ao contrário, contraírem dívidas, podem ter dificuldades para manter o orçamento sob controle. Como será um ano de instabilidade na economia, a dica de especialistas ouvidos pela FOLHA é administrar bem as finanças pessoais, poupar recursos e comprar apenas o essencial.
Agostinho Celso Pascalicchio, professor de Economia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que não será um ano de "crise", mas um período de ajustes econômicos para corrigir dois problemas enfrentados pela economia: a inflação alta e os gastos do governo.
No dia a dia, os brasileiros vão sentir este ajustes por causa da taxa de juros, que será elevada. "Com o encarecimento do crédito, as pessoas vão perceber que o poder aquisitivo caiu, pois terão acesso a menos bens", acredita.
O financiamento para empresários investirem também ficará mais caro, por isso, o impacto deve ser maior em regiões urbanizadas com a economia fortemente baseada em atividades industriais. "Onde o agronegócio é forte, o impacto será menor, porque a estimativa é que o setor cresça, na contramão da tendência da economia brasileira", diz.
A explicação para esta conjuntura, segundo o professor, é que o agronegócio experimentou crescimento da produtividade nos últimos anos e, em 2015, deve vivenciar estabilidade nos preços dos principais produtos agrícolas. "Ainda não terá sensação de alívio, mas pelo menos será mais confortável", defende.
Outro fator que deve influenciar na percepção de menor poder aquisitivo da população relaciona-se com medidas para reduzir os gastos do governo, com diminuição de incentivos fiscais e elevação de impostos que afetam diretamente os trabalhadores, como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
A consequência das políticas que devem ser adotadas pelo governo é a contenção do consumo. "A dica é comprar apenas os bens essenciais para o dia a dia e poupar o que for possível em aplicações em que o investidor sinta-se confortável", orienta, lembrando que financiamentos e o consequente endividamento devem ser evitados.
Pascalicchio alerta que o ano vai ser bom para todos aqueles que tiveram liquidez, ou seja, bens que podem ser rapidamente transformados em dinheiro ou o próprio dinheiro guardado. "Um período de ajustes é também um período de bons negócios para quem está capitalizado e tem maior capacidade de negociação", acredita.
Impacto
Maria Eduvirge Marandola, professora da Unifil e coordenadora do programa "Saúde Financeira da Família" na mesma instituição, alerta que os brasileiros já estão sentido o impacto da "crise" na rotina. "Combustível está mais caro e, no Paraná, por exemplo, já sabemos que vamos pagar mais pelo IPVA", aponta.
Sem perspectiva de aumento salarial imediato, é fato que o orçamento dos trabalhadores ficará mais apertado. "Diante disso, as famílias precisam administrar o orçamento com cautela", explica. Quem tem reservas financeiras pode pagar à vista impostos, matrículas e material escolar que são algumas despesas de início do ano e aproveitar os descontos. "Quem não fez esta previsão terá que administrar o orçamento com cuidado para não se endividar", aconselha. "É hora de 'por o pé no freio' e aguardar a economia melhorar", acrescenta.
Evitar o desperdício é uma dica valiosa para todas as épocas e que adquire grande valor em tempos de economia instável. Por isso, Eduvirge orienta a realizar pesquisas de preço e, no dia a dia, organizar as compras de modo a não jogar nada fora.
"Alimentos perecíveis, por exemplo, devem ser comprados em pequena quantidade para que não estraguem. Já os produtos que podem ser armazenados apresentam custo mais vantajoso se forem adquiridos em embalagens econômicas", ensina.
"Quando os tempos estão difíceis, é hora de administrar bem os recursos e agir com cautela", reforça. Lembra, ainda, que os consumidores formam uma massa importante para a economia, transformando força de trabalho em renda. "Se todos agirmos com responsabilidade no trabalho, cumprindo nossas obrigações da melhor forma possível, será bom para si próprio e para o coletivo."


