Em 11 de março de 2011, exatamente há um ano, um alerta de perigo foi emitido no Nordeste do Japão. O sinal, encarado com naturalidade pelos japoneses que estão acostumados com os frequentes tremores de terra, só não previa que em minutos o país iria enfrentar uma de suas maiores tragédias.

Às 14h45, horário do Japão, um terremoto de 8.9 na escala Richter fez grande parte do país estremecer e, em seguida, um forte tsunami, com ondas de até 14 metros de altura, atingiu as províncias de Iwate, Miyagi e Ibaraki e a cidade de Sendai. Um incêndio na usina nuclear de Onagawa levou o governo a isolar a área, assim como em Fukushima e outras três centrais de energia atômica.

Com a catástrofe, uma onda de pânico tomou conta do Japão. Enquanto muitas famílias tentavam se abrigar e recuperar o prejuízo, outras só pensavam em retornar ao Brasil.

''Retornar é um alívio, mas toda mudança é difícil. Muitos dekasseguis que foram para o Japão deixaram os estudos para trabalhar e, ao voltarem para o Brasil, não conseguem emprego facilmente'', conta Flávio Sugitani Antunes Ramos, de 21 anos. Ele viveu no Japão dos 11 meses de vida até os 10 anos, com a mãe, o pai e dois irmãos.

A família voltou para o Brasil por insistência do filho mais velho, mas em 2007, embarcou novamente rumo ao Japão. ''Estávamos em busca de um sonho, pois antes da crise econômica e do tsunami, compensava muito morar lá para fazer dinheiro. Hoje é diferente. Tomei a decisão certa'', conta a mãe Mitiko, de 55 anos, que voltou para Londrina em maio de 2011. ''Depois da tragédia, os brasileiros que viviam lá estavam desesperados para retornar. Ninguém sabia o que iria acontecer'', lembra.

Apesar de morar em uma região que não foi prejudicada, a família estava sempre em contato com amigos e parentes que vivem nas proximidades das áreas atingidas. ''Muitos amigos vieram embora porque todo mundo ficou com medo. Houve desespero. Foi um caos. As agências não davam conta de atender a demanda e mesmo com a passagem em mãos, a data para embarque era em dois meses ou mais'', comenta Flávio.

Leia mais na reportagem especial de Micaela Orikasa

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