Brasileiros estão cada vez mais tensos
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sábado, 02 de março de 2013
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
O brasileiro está sentindo muitas dores musculares e comprando bastante remédio para aliviá-las. É o que se pode deduzir da última pesquisa de mercado realizada anualmente pela consultoria IMS Health. Além de analisar a evolução do mercado de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), o levantamento mostra quais remédios foram mais vendidos nas farmácias ao longo do ano, em volume de unidades e em volume de vendas (R$). Respectivamente, o emplastro para dor muscular Salonpas e o analgésico e relaxante muscular Dorflex foram os dois campeões de vendas em 2012.
Ranking divulgado pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) em seu Guia 2012 apontou o Dorflex como o medicamento mais vendido no Brasil também em 2011. A informação não surpreende a médica anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, coordenadora do Centro Integrado de Tratamento da Dor, em São Paulo. ''De 30% a 40% da população (mundial e brasileira) sofre de dores crônicas, e entre as mais prevalentes estão as dores lombares e de cabeça, que resultam muitas vezes de contraturas musculares'', afirma a especialista.
Segundo a médica, este é o sintoma de uma população que trabalha cada vez mais (muitas vezes em más condições ergonômicas), está cada vez mais estressada e com a qualidade de vida comprometida. Ela exemplifica com a situação de muitas mulheres, que enfrentam duplas ou triplas jornadas, sem tempo sequer para praticar atividades físicas. Fabíola confirma que o problema vem se intensificando, e que é um hábito do brasileiro conviver durante longo período com os incômodos gerados por isso, antes de tentar identificar suas causas e combatê-las.
''Nosso objetivo, por meio da campanha 'Pare a Dor', da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), é justamente alertar para a necessidade de adotarmos comportamento oposto. Sentir dor não é comum, hoje há formas de preveni-la e tratá-la precocemente, com prática de atividades físicas, alimentação adequada, técnicas de relaxamento e técnicas posturais. Os medicamentos devem ser usados apenas em situações esporádicas, e não constantemente, por longos períodos'', aponta a médica.
Segundo dados do Guia 2012 da Interfarma, os principais países emergentes serão responsáveis por 28% dos gastos globais com produtos farmacêuticos em 2015, contra uma participação de 12% em 2005. Enquanto isso, a participação no mercado de países europeus e Estados Unidos vem caindo. O guia aponta que, em 2011, os 10 produtos mais vendidos foram Dorflex (analgésico), Cialis (tratamento de disfunção erétil), Viagra (tratamento de disfunção erétil), Neosaldina (analgésico), Tylenol (analgésico e antitérmico), Yasmin (anticoncepcional), Sibutramina (inibidor de apetite), Lipitor (tratamento de colesterol), Diovan (para controlar pressão alta / insuficiência cardíaca) e Rivotril (anticonvulsivante).


