Brasileiro de origem libanesa teme discriminação nos EUA
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sábado, 29 de setembro de 2001
Luciano Augusto<br> De Londrina 
Com a diminuição do fluxo de pessoas interessadas em ir para os Estados Unidos, o brasileiro de origem libanesa, Aissar Cury Rafael da Silva, acabou conseguindo economizar cerca de US$ 300,00, aproveitando uma promoção da agência de viagens. O pacote para Miami (Flórida), que sairia por quase US$ 1 mil, acabou custando US$ 690,00.
Mas por causa dos atentados terroristas naquele país em 11 de setembro, ele preferiu adiar a viagem por alguns dias. Aissar iria viajar em 23 de setembro e agora pretende embarcar em 15 de outubro. Mesmo assim, seus temores não diminuiram.
''Tenho nome, origem e cara de árabe e isso me assusta. Sinto uma culpabilidade indireta e tenho medo de sofrer algum tipo de violência'', diz ele. Sua família - mãe e irmãos - já mora há algum tempo em Miami onde trabalham como prestadores de serviços. Ele vai viajar para visitar a mãe, que está doente, e para comprar equipamentos eletrônicos para um outro irmão que vive em Londrina. ''Lá é a terra da oportunidade, mas o Brasil continua sendo o melhor país do mundo''.
Para ele, muito da desconfiança americana sobre os descendentes de árabes foi alimentada pela mídia, que ajudou a espalhar o medo. ''Eles precisavam de um boi de piranha, mas não existem provas e nem um inimigo declarado'', pontua. ''Sinto o que os negros sentiram no passado''.
Já o técnico em informática de Londrina, Luis Carlos Flemen, seguiu a tendência da maioria. Ele estava morando há três meses em Massachusetts (New England) e trabalhando em Nova York, num percurso de quase cinco horas de carro. Logo após os atentados, tentou retornar ao Brasil mas não conseguia um lugar no avião. ''Comprei a passagem para o dia 12 de setembro mas só consegui embarcar no dia 23'', relatou.
Flemen estava trabalhando no ramo de construção civil e sua intenção ''era fazer um pé-de-meia'' para depois voltar ao Brasil. ''Nunca, aqui no Brasil, eu teria as mesmas oportunidades, mas a coisa lá está feia e por isso resolvi voltar'', comenta.
Recém-chegado dos EUA, ele aconselha que agora não é o melhor momento para tentar melhorar de vida na América. ''Está tendo muitas ameaças, mais com os árabes. Mas, mesmo assim, os guardas te param nas ruas''.


