'Brasil tem culto à velocidade', diz consultor
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domingo, 19 de janeiro de 2014
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O aumento no número de multas por excesso de velocidade no Brasil é visto de forma positiva pelo sociólogo Eduardo Biavati, consultor em segurança no trânsito. Segundo ele, o maior volume de penalizações dos motoristas resulta do investimento em equipamentos de fiscalização eletrônica (radares), o que considera fundamental para coibir as infrações e, desta forma, reduzir as mortes. "Quanto maior a velocidade, maiores as chances de ferimentos graves ou acidentes fatais. O resultado do aumento da fiscalização vai ser perceptível, a longo prazo, na redução de mortos e feridos no Brasil", alerta.
Ele lembra que, em países onde a fiscalização do excesso de velocidade foi implantada com eficiência, o resultado direto foi a queda no número de mortes no trânsito. Por isso, defende cada vez mais investimentos na compra de radares e na estrutura de fiscalização, principalmente para as rodovias, onde acredita haver maior defasagem. "Os equipamentos ainda não são suficientes", afirma. A discussão sobre a necessidade ou não dos radares, para ele, já é superada. "Só as campanhas educativas não são suficientes para controlar o excesso de velocidade."
Biavati também defende maior rigor no valor das multas. Para ele, as penalizações devem se tornar mais caras e renderem perda de muitos pontos na carteira de habilitação, com risco real de suspensão do direito de dirigir. "Seria interessante criar um mecanismo que avisasse o motorista da multa imediatamente após a ocorrência, por mensagem de celular, para que os condutores se lembrem por que foram multados. Dessa forma, o efeito pedagógico seria maior", diz ele, que propõe ainda a redução do prazo para pagar o débito.
Com relação ao perfil dos infratores, ele admite que muita gente excede a velocidade por distração. "Para estes, o aviso de que há radares na via serve como um alerta para tirar o pé do acelerador. Só o velocímetro não é suficiente para para avisar sobre o limite", acredita.
O consultor adverte, porém, que boa parte dos motoristas abusa da velocidade conscientemente," na ânsia de chegar logo". "São estes que se revoltam com as multas, porque foram descobertos na transgressão. Infelizmente, o Brasil tem um culto à velocidade que acaba matando muita gente", opina.
Biavati explica que muitos motoristas aceleram os motores e excedem os limites conscientemente, porque são competitivos em relação aos outros condutores e querem mostrar o domínio da estrada e das máquinas. Para evitar que essas pessoas provoquem a própria morte e também a de outros, o especialista defende que a fiscalização seja cerrada e a penalização seja rigorosa.


