Apesar do uso do crack estar disseminado pelas ruas das cidades, ainda não há informações sistematizadas sobre o universo composto pelos usuários brasileiros. Informações colhidas pelo Senado Federal revelam que o número de pessoas que usam ou podem ter usado crack no País, em 2010, chegava a 2,3 milhões.

Uma pesquisa realizada pelo Observatório do Crack, mantido pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), revelou que, no ano passado, 89,4% dos 5.565 municípios enfrentavam problemas com circulação de drogas em seu território, mas apenas 10,1% conseguiam atender os dependentes químicos de alguma forma.

Outra constatação é que 497 municípios tinham cadastro dos usuários, contra 4.907 que não mantinham cadastro e 225 que não responderam à pergunta. Entre os usuários cadastrados, apenas 11,2% tiveram acesso à internação e, destes, 2,5% foram considerados ''curados'' pelo tratamento e 1,8% atingiram a fase de reinserção social.

O município de Londrina também não tem dados oficiais sobre o número de usuários de crack. A única estimativa que tem norteado os trabalhos da rede pública de atenção é baseada em levantamento feito entre os meses de julho e dezembro de 2008 pelo psicólogo Sérgio Elon, que na época integrava o quadro de profissionais da Coordenadoria de Apoio Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps/AD). A pesquisa, que embasou a tese de mestrado de Elon, mostrou que na época, 44% dos dependentes químicos atendidos eram usuários da droga e 46% eram usuários de álcool.

Leia a reportagem especial de Silvana Leão exclusiva para assinantes da FOLHA.

Leia Também:

- 'Sozinha, eu não consigo' - Visivelmente judiadas pelos efeitos do crack, Angela e Cristina, 25 e 33 anos, respectivamente, são duas mulheres reféns do vício da droga.

- Cidade é ponto de passagem e consumo - Aproximadamente 10,6 milhões de pedras de crack foram apreendidas no Paraná desde junho de 2003, quando foi criado o Narcodenúncia

mockup