Brasil: sinônimo de esperança
Heinrich Stader chegou ao Brasil em 1951, na terceira das sete embarcações que trouxeram os suábios. Em meio a uma aula de história e evolução da mecânica de tratores utilizados nas lavouras da colônia - expostos na festa de 60 anos de imigração suábia em Entre Rios -, o pioneiro conta que migrou aos seis anos, com o pai, mãe, irmã e dois irmãos. Stader nasceu na Áustria, no período em que os pais se refugiaram da invasão comunista à Iugoslávia durante a 2 Guerra Mundial.
O primeiro contato da família com a agricultura só ocorreu em terras paranaenses, já que na Europa o pai era ferreiro, a irmã doméstica e o irmão operário da construção. ''Com a colonização, começamos uma nova vida''.
Stader, que segue agricultor até hoje, lembra que a atividade na época era muito difícil porque os campos eram brutos, o solo ácido e faltavam insumos. A família começou cultivando arroz, depois trigo e em 1978 deu início ao plantio de soja e a ''situação melhorou''.
Em 1952, a irmã foi para São Paulo. O irmão mais velho voltou para a Alemanha. Como era o caçula, Stader ficou com os pais. Por ter concluído o primário, teve menos dificuldade com a língua e fala português quase sem sotaque. Com o tempo, algumas pessoas deixaram a colônia e a família foi comprando terras. Hoje tem 238 hectares, onde cultiva trigo, cevada, milho e soja.
Stader se casou em 1970 e teve três filhos (um já falecido). Hoje, aos 66 anos, ele administra a produção junto com um filho. A filha trabalha na Cooperativa Agrária. Toda a família, inclusive as três netas, fala alemão e o dialeto suábio. ''Eu acho muito importante que cada nação preserve sua tradição, a herança dos antepassados'', comenta.
Em 1989, Stader voltou à Áustria e reencontrou o lugar onde morava e os parentes, com os quais sempre manteve contato. ''Gostei muito, mas para passear. Para ficar, não. Eu praticamente me criei aqui na colônia e não quero sair''. (M.F.)





