Brasil acumula prejuízos por desastres climáticos
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domingo, 13 de dezembro de 2015
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Desastres climáticos extremos, resultados principalmente por fortes chuvas e tempestades, causaram prejuízo médio de R$ 278 bilhões ao Brasil de 2002 a 2012, o que representou 0,68% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. O dado é resultado de estudo inédito de economistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Liderados por Carlos Eduardo Young, eles analisaram dados do Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, que mapeou os registros de eventos climáticos extremos no Brasil entre 1991 e 2012.
Os números foram cruzados com estimativas de custo econômico por pessoa afetada, desalojada ou desabrigada durante eventos extremos de enxurrada, inundação ou deslizamento nos estados de Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina, feitas pelo Banco Mundial, e extrapolados para o País inteiro. O Paraná, na última década pesquisada, registrou 403 ocorrências que resultaram em 30.777 desabrigados, 1.040.503 afetados e 20.952 desalojados. Esse saldo, de acordo com os pesquisadores, consumiu valor equivalente a 2,82% do PIB do período.
Os pesquisadores avaliaram prejuízos em infraestrutura (subdividida em transporte, telecomunicações, água e saneamento e energia), setores sociais (subdivididos em habitação, saúde e educação), setores produtivos (subdivididos em agricultura, indústria, comércio e turismo) e meio ambiente.
Conforme o estudo, as regiões Sudeste e Sul apresentam as maiores concentrações de ocorrências, com 34% e 31% do número de eventos, enquanto a região Nordeste ocupa uma posição intermediária (22%), e as regiões Norte (8%) e Centro-Oeste (5%) são as de menor peso relativo. "Isso é consequência da menor densidade demográfica das duas últimas, visto que a caracterização de desastre não se dá pela quantidade de precipitação, mas pelos seus efeitos sobre a população humana", apontam.
A região Sudeste, segundo a pesquisa, tem 40% do número de afetados e 58% do número total de mortos para o País nesses desastres e é, por isso, a que mais perde: acumula R$110,4 bilhões em perdas com desastres no período e seus quatro Estados estão entre os dez que mais tiveram prejuízos. Já a região Sul é a segunda colocada em número de ocorrências e afetados, com maior taxa de afetados em relação a sua população total (41,3%). É também a segunda em perdas acumuladas, chegando ao valor de R$ 45 bilhões (16% do valor nacional). Os três estados sulistas também estão entre os dez de maiores perdas.
A pesquisa indica que 35% dos desastres climáticos registrados no Brasil, de 1991 a 2012, foram diretamente relacionados com fortes chuvas. No período, o Brasil registrou 13.622 ocorrências de inundações, enxurradas e movimentos de massa, resultando em 3.959.322 desabrigados e desalojados, 3.745 mortes e um total de 46.022.011 pessoas afetadas, ou 24,5% da população do País, conforme o Censo de 2010.
Outra constatação dos pesquisadores é que há forte concentração dos desastres na segunda metade do período analisado (2002-2012), com tendência de crescimento de ocorrências com o tempo. Uma das explicações para o aumento é a melhoria na cobertura das informações sobre desastres, mas fatores como o crescimento da densidade populacional nas áreas de risco e o aumento na frequência de chuvas torrenciais e outros fenômenos climáticos extremos por causa das mudanças climáticas globais são fatores importantes a serem considerados. "O mais provável é que todas essas hipóteses estejam corretas, e que exista uma combinação perversa entre o aumento da população vivendo em áreas de risco e a maior probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos", relatam os autores.
Professor do Instituto de Economia da UFPR, Carlos Eduardo Young lembra que as mudanças climáticas não fazem parte de uma realidade distante, mas ocorrem também no Brasil. "Na região de Londrina, mesmo, onde o agronegócio é importante e depende das condições climáticas, há ocorrência de secas prolongadas e excesso de chuva. Contudo, a representação política do agronegócio tem atuado no sentido de ignorar ou acentuar os problemas. O código florestal, por exemplo, está sendo discutido como se não houvesse mudanças climáticas, como se fosse desnecessário cuidar das florestas", critica.
Para Young, o mundo lida com as mudanças como se fosse "obra do acaso". "As pessoas não cuidam dos recursos naturais e depois vão fazer orações, campanhas de donativos. Os governos agem no sentido contrário, não pensam em reduzir desmatamento, proteger os recursos hídricos, investir em drenagem urbana de águas pluviais evitando que sejam usadas como redes de esgoto. É preciso consciência", pede.
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