Bons resultados dependem de disciplina no tratamento
Além do preconceito, o tratamento tardio talvez seja o maior inimigo da pessoa com a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). Desde 1996, com o advento dos medicamentos antirretrovirais, a doença passou a ser controlada. Só que quanto mais tarde se começa o tratamento, mais difícil fica de manter equilibrada a relação entre a carga viral e a eficiência do sistema imunológico do portador do vírus HIV. Há 25 anos atuando diretamente com pacientes com aids, a assistente social Argéria Maria Serraglio Narciso diz que o maior desafio dos profissionais de saúde epidemiológica é a adesão ao tratamento.
"Temos pacientes que descobrem a doença tardiamente e quando chegam até nós já estão com a infecção instalada. Às vezes apresenta um quadro de neurotoxoplasmose, uma infecção que afeta o sistema nervoso e pode causar uma paralisia, a perda da visão, e o tratamento fica muito difícil", alerta Argéria, que trabalha no ambulatório do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina. "O maior desafio dos profissionais de saúde é a adesão ao tratamento, que é muito mais fácil hoje do que há 20, 25 anos. Só que é para o resto da vida", afirma.
A assistente social destaca a importância do papel da família quanto à conscientização do soropositivo, doente ou não. "Fazemos um trabalho com grupos de adesão no HC em que atuamos com a família, para que haja uma rede de apoio e os familiares colaborem nesse processo de adesão. Às vezes o paciente até começa o tratamento, mas negligencia e aí aparece uma série de doenças oportunistas", frisa Argéria Narciso. Ela nota que ainda há muito a fazer para fortalecer essa rede de apoio, uma vez que o portador do vírus HIV geralmente se depara com dois impactos: o primeiro, a descoberta da doença, e depois, quando inicia o tratamento medicamentoso. "Muitas vezes ele não conta com uma rede de apoio para enfrentar o diagnóstico", salienta.(D.P.)





