Blitz do IA P encontra mogno suspeito no Porto
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de março de 2001
Enviada a Paranaguá 
Pelo menos 2 mil metros cúbicos de mogno foram encontrados em apenas uma tarde de vistoria feita pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O IAP ainda não sabe se a madeira é ilegal, mas comprovou a facilidade com que o produto chega ao Paraná sem a devida documentação. A blitz relâmpago foi feita na última sexta-feira e foi acompanhada com exclusividade pela Folha.
A maior parte do mogno estava no depósito da Transzella, em Paranaguá. Funcionários do depósito disseram que não têm nenhuma responsabilidade pelo material e que apenas presta serviço para a Red Madeiras Tropicais, exportadora da madeira.
A Red não estava de posse da documentação e foi notificada pelo IAP. O órgão deu prazo até amanhã para a empresa apresentar as notas fiscais e o certificado de origem da madeira. Segundo o gerente administrativo da empresa, José Alfonso Mannnes, as notas fiscais não estavam no escritório da Red porque foram encaminhadas para encadernação. Alfonso pediu prazo de uma semana para levantar a documentação que comprova a legalidade da mogno, mas o IAP concedeu apenas três dias. O gerente da empresa informou que a mogno é proveniente do Mato Grosso e do Pará. O destino da madeira exportada pela empresa é Reino Unido e República Dominicana.
O chefe de fiscalização do IAP, José Luiz Bolicenha, informou que esse procedimento é irregular e que a empresa deve estar de posse dos documentos. Quem deposita a madeira também deve ter controle de estoque e comprovação de origem, esclareceu. Nem a empresa nem os funcionários do depósito souberam informar o volume da madeira estocado. Bolicenha salientou que, caso a empresa não apresente a comprovação de origem da madeira, vai sofrer as penalidades previstas na lei ambiental.
Parte do mogno encontrado na vistoria do IAP (190 m3) estava no depósito da Brasmell Industrial Exportadora, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A empresa também não estava de posse da documentação que comprova a legalidade da madeira, mas o IAP deu prazo até terça-feira para que a empresa apresente os documentos.
O IAP quer saber se o mogno dessas empresas faz parte da cota emitida pelo Ibama. As empresas só conseguem retirar e transportar o mogno dentro da cota permitida. Se isso não acontecer algo está errado, informou o coordenador do departamento de reposição florestal do IAP, Jackson Vosgerau. (K.M.)


