Inauguradas em 1997 para sediarem os Jogos Mundiais da Natureza em seis municípios da Costa Oeste, as chamadas bases náuticas, construídas com recursos do Estado, foram utilizadas apenas uma vez no evento esportivo criado com o objetivo de incentivar o turismo às margens do Rio Paraná. Reportagens da época apontam que foram investidos R$ 3 milhões nos empreendimentos.
Exemplos de obras grandiosas que sucumbem à falta de identificação com a realidade local, as bases, edificadas com mirante e restaurante, transformaram-se em transtorno para as administrações municipais que tiveram de assumir o ''elefante branco'' depois que os jogos foram suspensos.
A pior situação foi verificada em Marechal Cândido Rondon. Após 2000, quando findou o convênio com o governo, o total abandono acabou transformando o local em abrigo para contrabandistas. Por conta da falta de segurança, a solução foi demolir o imóvel. No terreno de 300 metros quadrados, a Itaipu Binacional plantou mata ciliar. Uma área maior, de 70 hectares, desapropriada pelo Estado para construção de pista de hipismo e estrutura para prática de esportes, acabou repassada à Associação Técnica das Indústrias de Mandioca do Paraná, que utiliza o terreno para experimentos.
Lair José Bersch, chefe de gabinete da prefeitura e coordenador dos Jogos em Marechal Cândido Rondon na época da única edição da competição, relata que o projeto foi imposto pelo governo sem qualquer discussão com a administração municipal. Outra falha, segundo ele, foi a falta de estímulo ao desenvolvimento de uma política concreta de fomento ao turismo numa região essencialmente agrícola. ''Eles desconsideraram a realidade local.''
Em Foz do Iguaçu, o local onde funcionou a base náutica foi devolvido à Itaipu Binacional totalmente depredada. Conforme informações da assessoria de imprensa da usina, o imóvel será transformado em um Centro de Treinamento de Canoagem, em projeto com recursos do BNDES e apoio da Itaipu e Confederação Brasileira de Canoagem.
Em nenhum dos outros municípios as bases foram usadas para a finalidade a que se destinavam após o fim do convênio. Em Santa Helena, a área chegou a ser ocupada por trabalhadores sem terra. Hoje, está sob responsabilidade do Iapar. Itaipulândia e Entre Rios também cederam o espaço para instituições de pesquisa. Em Guaíra, a base náutica abriga provisoriamente a Delegacia Especial de Policiamento Marítimo da Polícia Federal.
A FOLHA apurou que o órgão responsável pela construção das bases náuticas hoje responde pela denominação Ecoparaná e é ligado à secretaria estadual de Turismo. A reportagem tentou contato com a superintendência várias vezes, por telefone e e-mail, mas não obteve respostas. (C.A.)

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