O lago do Iraí está interferindo diretamente no cotidiano de 35 mil pessoas. A população que vive na bacia do Rio Iraí (moradores de Quatro Barras, Piraquara, Pinhais, Campinha Grande do Sul e Colombo) teve que se adaptar às novas condições de preservação do meio ambiente, para reduzir os impactos na qualidade da água. Através do Programa de Saneamento Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba (Prosan), a Sanepar ampliou a rede coletora na maioria dos bairros das zonas urbanas da região. Alguns bairros mais distantes ainda não têm acesso à rede de esgoto e, em outros, muitos dos domicílios ainda não estão conectados, aumentando o risco de poluição orgânica do lago.
As indústrias que já existiam na região têm que se adaptar. Elas precisam instalar equipamentos que garantam a filtragem dos dejetos antes da emissão para os rios. O objetivo é evitar que os poluentes cheguem ao lago através dos afluentes. A barragem do Iraí recebe água de quatro rios. Desses, apenas um não passa por zonas urbanas, vindo da Serra do Mar. Os outros recebem esgoto domiciliar e industrial de Pinhais, Piraquara, Quatro Barras e Colombo.
Desde o ano passado, os distritos industriais desses municípios só podem receber as chamadas ‘‘empresas secas’’, que não produzem dejetos líquidos. Mesmo assim, nos dois últimos anos, algumas das novas empresas instaladas na região já foram autuadas por armazenar inadequadamente os efluentes líquidos.
O setor imobiliário também passou por modificações na região. Em toda a bacia do Iraí só pode haver uma nova residência para cada dois mil metros quadrados. Tanto que nas regiões próximas às margens do lago está prevista a construção de condomínios de alto padrão, com sistema avançados de tratamento de esgoto. ‘‘Uma pessoa tinha um terreno em que pretendia construir três sobrados, mas só poderá fazer dois agora’’, lembra o presidente da Câmara Técnica da Área de Proteção Ambiental do Iraí, Ednei Bueno do Nascimento. ‘‘Estão sendo tomadas providências para evitar problemas futuros, pois sabemos que a situação ali é delicada’’, e completa, ‘‘mas o monitoramento por parte da Sanepar tem que ser permanente.’’
Os proprietários rurais da região também têm que modificar suas técnicas de produção. Eles estão proibidos de usar agrotóxicos e precisam manejar o esterco das criações no meio ambiente. A fazenda escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Colônia Penal Agrícola de Piraquara e a Fazenda Modelo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) estão entre as propriedades proibidas de usar produtos químicos. ‘‘Todos aqueles produtores vão ter que fazer agricultura orgânica por causa do lago’’, diz o presidente da câmara técnica.
A suspensão da realização da Feira do Paraná, no parque de exposições Castelo Branco, em Quatro Barras, é outra consequência da necessidade de reduzir a emissão de dejetos na bacia do Rio Iraí. (E.C.)

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