Na Avenida Duque de Caxias, em Londrina, entre instituições bancárias, restaurantes, lojas e farmácias, uma porta aberta no início da semana passada convida as pessoas que passam por ali a experimentarem uma volta ao passado. A placa na porta do estabelecimento, anunciando a "Barbearia 3 de maio", avisa que ali se faz cabelo masculino e barba à moda antiga. O serviço prestado, porém, não é o único aspecto nostálgico do local. Totalmente equipada e decorada pelo trabalho manual do proprietário, o barbeiro João Pereira, de 53 anos, o estabelecimento revestido de peroba - onde discos sertanejos de vinil enfeitam as paredes, e as cadeiras produzidas em 1940 recebem os clientes - demonstra que o saudosismo faz parte do clima do lugar.
Pereira, um corretor de imóveis que sempre sonhou com uma vida mais simples, conta que aprendeu a profissão de barbeiro há 15 anos na capital paulista, mas há oito anos estava se dedicando apenas ao trabalho no mercado imobiliário. "Eu estava estressado e frustrado", conta ele, que deu vazão ao sonho e construiu, com as próprias mãos, o local onde pretende investir cada vez mais energia profissional.
O barbeiro não sabe explicar de onde vem esse jeito saudosista. "Nunca conheci meu avô, que era carpinteiro, mas devo ter herdado alguma coisa dele", explica, acrescentando que sempre morou na cidade, mas nunca aceitou a urbanização. "Vivo no passado, sempre em busca da simplicidade", resume.
Na barbearia recém-inaugurada, ele espera oferecer muito mais do que simplesmente cortar cabelos ou fazer barbas. "Gosto de ouvir as histórias dos clientes, os desabafos... Muita gente que já veio aqui encontrou no local alguma coisa do próprio passado. Isso me complementa e me traz muita satisfação pessoal", revela.
Adepto da reciclagem, da marcenaria e da beleza da peroba rosa, ele conta que a casa onde mora, em um terreno na cidade, foi construída em madeira por ele mesmo. Neste chalé, o terreno ao redor foi transformado em uma mini chácara, com pomar, muita sombra e água fresca. Questionado sobre a estranheza das pessoas com relação ao estilo de vida que adotou, ele admite que nem sempre é compreendido. "As pessoas não conseguem enxergam a vida da mesma forma que eu", diz.

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