Banco privado ainda é oneroso
A grande diferença entre os bancos públicos e privados do sangue do cordão umbilical é que no primeiro caso a doação é feita de forma voluntária, sendo que o perfil genético ficará disponível para qualquer pessoa que necessite de transplante. ''A coleta e armazenagem são totalmente gratuitas, mas não há exclusividade no material para o doador do sangue'', explica Luiz Fernando Bouzas, coordenador do BrasilCord e do Redome.
No banco privado, o material colhido ficará disponível apenas para a família. ''As células do cordão têm sido muito utilizadas em crianças, mas não há qualquer indicação do uso do próprio material; pode ser disponibilizado para um irmão ou parente próximo. O custo, contudo, ainda é muito oneroso.'' Segundo ele, cerca de 40% dos transplantes realizados no Brasil já são oriundos do banco de células do cordão e 60% da medula óssea. Para o sangue do cordão, com 70% de compatibilidade já é possível fazer o transplante.
Em Londrina não existe banco público nem convênio para doação de sangue do cordão umbilical. A família que deseja armazenar o material do filho terá de recorrer a um banco privado e pagar uma taxa inicial e anual por isso. Apenas um estabelecimento realiza esse procedimento na cidade. Os valores cobrados em empresas particulares variam de R$ 3 mil para coleta e R$ 1 mil de manutenção anual. O material mais antigo armazenado até hoje, data de duas décadas.
Há um mês, uma família de Maringá (Noroeste) renovou as esperanças na vida do filho mais velho, ao coletar o material do cordão da filha que nasceu. O menino, que sofre de leucemia linfoide aguda (LLA), responde bem ao tratamento de quimioterapia, mas tem a chance de ser beneficiado com as células-tronco da irmã.
Os resultados de compatibilidade não saíram, mas a a coleta e armazenamento foram possíveis graças ao projeto social ''Uma esperança preservada'', mantido pela empresa CordCell, de São Paulo. De acordo com a equipe que acompanha o caso de Felipe, ele tem 47% de chances de que as células-tronco da irmã sejam compatíveis. Caso os exames sejam negativos e o tratamento não der resultado, o menino terá de recorrer a um banco público. (M.T.)





