Londrina - Quando a bancária Daniela, então com 28 anos, decidiu submeter-se a uma cirurgia para colocação de uma prótese de silicone, a família não imaginou que o procedimento teria um final trágico. Casada e mãe de duas crianças, ela chegou a ficar feliz com o resultado estético da cirurgia. Os problemas começaram 15 dias depois, quando a moça passou a sentir dor e inchaço no local.
Quem conta a história é a mãe da paciente, a aposentada Dalva Domingues Triani, que perdeu a única filha semanas depois do procedimento. Após sofrer uma infecção causada por um "vazamento" da prótese, Daniela não resistiu e faleceu.
A mãe acredita que a filha tenha sido vítima de negligência.
"Quando começou a sentir dor, procurou o médico responsável, que examinou e disse que estava ‘tudo certo’", recorda. Apesar da tranquilidade do médico, a dor e o inchaço pioraram e chegaram a atingir o braço. Mesmo assim, o médico atendeu apenas por telefone e não acreditou que pudesse haver algum problema. "Ela já estava de volta ao trabalho quando a prótese vazou e molhou toda a roupa dela. Corremos para o consultório, mas minha filha foi atendida por uma secretária que apenas colocou gaze no local. O médico não pediu qualquer exame nem receitou um remédio para dor. Ele inclusive mandou-a voltar para o trabalho", relata.
A situação piorou na mesma noite, quando Daniela teve febre e vômito. Foi levada ao hospital, onde acabou na UTI para tentar conter a septicemia (infecção por todo o corpo). Conforme a mãe, a jovem só foi medicada com antibióticos no hospital, apesar de ter relatado dor, inchaço, desconforto e até mesmo a umidade ao responsável pela cirurgia. "Infelizmente, ela não resistiu", conta Dalva, emocionada ao lembrar de todo o processo.
Após a morte de Daniela, a mãe foi incentivada por amigos a processar o médico para evitar que ele fizesse novas vítimas. "Até contratei um advogado, mas os outros profissionais que atenderam minha filha e reconheceram o erro na época não quiseram depor. O médico responsável se mudou de Londrina e acabei desistindo", diz.
Nove anos depois da tragédia, Dalva continua sentindo a dor pela perda da única filha e não se conforma com a injustiça. "Ela era muito querida", elogia. Apesar da certeza da conduta errada do profissional, reconhece que é difícil provar o erro. "Por isso, aconselho todas as pessoas que quiserem fazer esta cirurgia a procurarem médicos realmente responsáveis", diz. (C.A.)

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