A falta de estudos para avaliar o custo de oportunidade das obras para a Copa do Mundo em Curitiba é o principal questionamento do engenheiro José Ricardo Vargas de Faria, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge) e professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR). "O Mundial fez com que algumas obras que vinham sendo discutidas há tempos fossem priorizadas, como o Corredor Aeroporto-Rodoferroviária. A questão é saber se elas estariam na lista de prioridades se não fossem os jogos. Será que outras obras não teriam um custo-benefício mais interessante a longo prazo? É inegável que as obras da Copa trazem benefícios, mas não sabemos se este era o melhor momento para investir dinheiro nestes projetos."

Para o professor, a construção da ponte estaiada – orçada em mais de R$ 84 milhões – no corredor da Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres), é seguramente um exemplo de obra equivocada. "O viaduto foi feito para substituir uma interseção em nível e suprimir o semáforo. Mas há outros pontos da via que também precisariam de intervenções e nada foi feito, porque gastou-se uma grande quantia em apenas um. A construção de uma trincheira teria um custo 10 vezes menor e resolveria o problema. A ponte não foi uma solução criativa para o problema, é como usar uma bala de canhão para matar uma mosca", compara.

O viaduto foi liberado para o tráfego em abril. A construção envolveu várias intervenções e provocou muitas reclamações dos motoristas e pedestres que usavam o trecho diariamente. A obra, com recursos do PAC, iniciada em 2012, tem 225 metros de extensão, com três pistas em cada sentido, além de ciclovias e calçadas laterais para pedestres em ambos os lados. A estrutura é metálica, com laje de concreto pré-fabricado. Um mastro, com 74 metros de altura, está ligado aos 21 cabos (estais) de sustentação. Visando maior fluidez do trânsito na Avenida das Torres, também foi construída a trincheira Guabirotuba. O custo total ficou em R$ 145 milhões.

Além do viaduto e da trincheira, a revitalização da avenida contou com drenagem, escavação e pavimentação de ruas e alças de acesso; fresagem e recuperação de ruas; piso em granilhas aparentes; ciclovia; calçadas em paver; rampas para pessoas com necessidades especiais; plantio de grama e de árvores; sinalização horizontal, vertical e semafórica; implantação de abrigos para ônibus e iluminação. Outra obra em fase de conclusão pretende também melhorar o trânsito de veículos entre Curitiba e São José dos Pinhais. É a requalificação do corredor Marechal Floriano Peixoto.

O Aeroporto Afonso Pena, localizado em São José dos Pinhais (Região Metropolitana), passou por reformas que ampliaram a sua capacidade desde o anúncio da capital paranaense como uma das sedes da Copa do Mundo, em maio de 2009. Uma das primeiras reformas concluídas, em 2012, foi a ampliação das vagas de estacionamento, que não contou com dinheiro do PAC da Copa. As vagas passaram de 660 para 2.122.

Com verba do PAC, foi iniciada em maio do ano passado a ampliação e reforma do terminal de passageiros e sistema viário, com investimento de R$ 246 milhões. Mas a conclusão total acontecerá só em 2016. Para a Copa, a principal melhoria é a ampliação do terminal de passageiros de 46 mil m2 para 64.800 m2, elevando a capacidade passageiro/ano de 7,9 milhões para 8,5 milhões.

A ampliação do pátio de aeronaves contou com R$ 27 milhões do PAC. Os trabalhos começaram em julho de 2011 com término previsto para até o final deste mês. O pátio passa de 84.062 m2 para 143.941 m2. A restauração completa da pista de pouso, que mede 2.215 metros, começou em setembro de 2011 e terminou em junho de 2012. A reforma custou R$ 19,06 milhões.

O professor José Ricardo de Faria lembra que algumas obras não foram concluídas a tempo ou foram descartadas, como a transformação de parte da Rua Cândido de Abreu, no Centro Cívico, em um boulevard. O mesmo aconteceu com a cobertura retrátil da Arena da Baixada e com a construção da terceira pista do aeroporto. Outra obra que não chegou a sair do papel foi a requalificação das vias do Corredor Metropolitano, que beneficiaria os municípios da Região Metropolitana. "Desde o início havia estimativa de não terminar a tempo todas as obras prometidas, o que acabou se materializando", constata o professor.

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