Balanço pré-Copa - Cinco anos depois, está tudo (quase) pronto
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sábado, 24 de maio de 2014
Silvana Leão, Andréa Bertoldi e Adriana de Cunto<br> Reportagem Local 
Desde que Curitiba foi anunciada como uma das 12 cidades-sede da Copa de 2014, no final de maio de 2009, os diversos segmentos de alguma forma ligados a um evento esportivo deste porte começaram a se movimentar. Mesmo que as providências não tenham chegado no tempo esperado como a reforma da Arena da Baixada, que atrasou em quase um ano, de acordo com o cronograma oficial do Comitê Organizador Local (COL) , que a cidade não tenha sido totalmente transformada e dos questionamentos que envolvem algumas obras, levantamento feito pela FOLHA mostra que a Capital teve ganhos nas áreas de mobilidade urbana, de transporte, estruturas de hospedagem e de recepção a turistas, sem falar no novo estádio.
Entre as 12 sedes, nenhuma outra teve tantas dúvidas se realmente abrigaria as partidas. Nos primeiros meses do ano, a cúpula da Fifa ainda tinha dúvida que a capital paranaense seria capaz de deixar tudo pronto a tempo, principalmente na Arena da Baixada.
A obra no estádio do Atlético sofreu com paralisações e falta de recursos na reta final da reforma. Mas as negociações avançaram, os trabalhos aceleraram e a visita do secretário-geral da entidade máxima do futebol, Jerôme Valcke, sacramentou a realização do "milagre". A praça esportiva já está sob tutela da Fifa, com o calendário de jogos mais do que confirmados. A remodelação, um pouco mais modesta que a prevista, custou quase o dobro do orçamento original, atingindo a marca dos R$ 330 milhões.
No resto da cidade, também houve avanços desde 2009. Só o Aeroporto Afonso Pena passou por reformas que consumiram R$ 292 milhões. No chamado Corredor Aeroporto/Rodoferroviária, projetado para melhorar a circulação de veículos desde o limite com São José dos Pinhais, onde está localizado o Aeroporto Afonso Pena, até o Centro da cidade, uma série de obras também foram realizadas, inclusive a polêmica ponte estaiada, que envolveu várias intervenções, provocou muitas reclamações da população e é questionada por especialistas. Neste corredor, instalado na Avenida das Torres, foram investidos R$ 145 milhões.
Paranaenses de outros municípios também poderão se beneficiar com a realização de jogos da Copa na capital com a remodelação do principal ponto de embarque e desembarque de ônibus do Estado, a rodoferroviária. Ela vai ficar de cara nova até o primeiro jogo do Mundial na cidade, marcado para às 16 horas do próximo dia 16, quando entrarão em campo no novo estádio do Clube Atlético Paranaense as seleções do Irã e da Nigéria. (Outros três jogos serão em Curitiba, Honduras X Equador, no dia 20; Austrália X Espanha, no dia 23; Argélia X Rússia, no dia 26).
O local terá um segundo acesso, pela continuação do viaduto do Capanema, com um padrão de acessibilidade muito superior (escadas rolantes e elevadores novos), mais oito plataformas de desembarque e salas de espera climatizadas. A capacidade de passageiros/dia saltou de 40 mil para 50 mil por dia. A obra está em fase de conclusão. No total, incluindo os investimentos nos acessos, o custo da reforma chegou a quase R$ 50 milhões.
Talvez mais que os investimentos financeiros, porém, Curitiba deve comemorar a visibilidade que os jogos do Mundial lhe darão. Se antes a capital paranaense já era conhecida lá fora pelas suas boas soluções de mobilidade e modelos urbanísticos, agora é hora de provar que também sabe receber bem.
A cidade não conseguiu transformar seus milhares de taxistas em trabalhadores bilíngues mas 423 deles passaram a ter noção de uma língua estrangeira (393 deles de inglês e outros 30 de espanhol) após se inscreverem no Taxista Nota 10, do Sest/Senat (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte). O grupo recebeu apostilas e CDs para reforçar o conhecimento nas horas vagas. A cidade também vai ganhar três postos fixos de informação turística e outros três postos móveis. Em cada um destes pontos haverá pelo menos um funcionário bilíngue. Há ainda dois novos serviços ao visitante, o disque-turismo e o turismoserv (interação através de emails).
A mesma visibilidade é desejada por Foz do Iguaçu, que vai abrigar os treinos da seleção da Coreia do Sul. Na fronteira, além do legado físico um aeroporto com terminal maior e com a pista recapeada, sem contar o novo centro de treinamento com padrão internacional, os operadores de turismo apostam num incremento na recepção dos asiáticos nos próximos anos. A confiança é justificada com a aguardada presença de centenas de jornalistas que devem divulgar cada uma das atrações da terra das Cataratas do Iguaçu, uma espécie de mídia espontânea que muita gente julga de valor incalculável.


