A safra de grãos que termina de ser colhida nos próximos dias vai injetar mais de R$ 200 milhões na economia dos municípios da região de Maringá, que já sentem algum reflexo da boa produtividade alcançada nas lavouras de soja e milho. O rendimento, segundo os técnicos do setor, acabou compensando os baixos valores praticados no momento. A saca de soja foi cotada na média de R$ 16,50 e a de milho a R$ 7,50 durante a semana. A produtividade, em contrapartida, está em 3 mil quilos por hectare na soja e 4,3 mil quilos por hectare no milho.
Na região de abrangência da cooperativa Cocamar, a expectativa é de um rendimento 27% acima da safra de verão passada. Até o final da semana a cooperativa já havia recebido 355 mil toneladas de grãos e a meta é chegar a 380 mil toneladas. Além da produtividade melhor, o presidente da cooperativa, Luis Lourenço, revela que o volume maior se deve também ao plantio de soja no arenito. A grande vantagem este ano, segundo Lourenço, é que o produtor está sem muitas dívidas.
O economista Wilian Meneguel, do Deral em Maringá, confirma a posição de Lourenço. ‘‘O produtor está com poucas dívidas e vai levar mais dinheiro para outros setores’’, acredita. Ele revela que o mercado de insumos já está aquecido com o plantio da safrinha ou da safra de inverno. Na região de Maringá devem ser cultivados 125 mil hectares de milho e outros 45 mil de trigo. O reflexo da safra já é sentido também no comércio de máquinas e equipamentos.
Antes mesmo de iniciar a colheita, o produtor investiu em máquinas contando com o aumento da produtividade. ‘‘Vendemos bastante colheitadeiras no início do ano, e agora a expectativa é com a safrinha’’, diz o gerente de vendas Marcelo Meyer, da Camagril, em Maringá. Ele acha que de imediato o produtor está vendendo apenas para cumprir os compromissos. Quem pode, acredita Meyer, vai segurar a soja e o milho para arriscar uma melhora nos preços.
Regis Edson Mazzardo, da New Agro, também em Maringá, acha que as vendas vão se consolidar a partir de maio. ‘‘O pessoal vai esperar o Agro Show, que será realizado no final do mês em Ribeirão Preto (SP)’’, explica. No evento, diz Mazzardo, as indústrias apresentam as novidades. Nos demais setores da economia os negócios em fator da safra também começaram.
O diretor do conselho de comércio da Associação Comercial e Industrial de Maringá, Ariovaldo Costa Paulo, compara que a colheita traz reflexo direto para toda economia dos municípios da região. ‘‘O agricultor sai pagando as dívidas e movimenta o dinheiro da safra’’, lembra. Costa Paulo diz ainda que o grande produtor, que tem mais condições, acaba sempre investindo em bens, como os imóveis.
O imobiliarista Pedro Granado, de Maringá, confirma que o impacto da safra ‘‘é visível’’ no setor. ‘‘Desde o início da colheita as vendas já superam 20% em relação ao período normal’’, revela. Os agricultores procuram de tudo, de terreno a apartamentos, quase sempre para investimento. A vantagem para Maringá, segundo Granado, é que a cidade polariza uma grande região agrícola e acaba atraindo os investimentos. ‘‘São produtores interessados em investir com segurança, ou em busca de moradia para a família ou um filho que estuda na cidade’’, revela.

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