Nas últimas décadas, com as mudanças na sociedade brasileira, o número de famílias chefiadas por mulheres cresceu de forma acentuada. Dentro desse perfil, o crescimento de um subgrupo reflete uma situação de vulnerabilidade
social.
De acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, em 1991, 12,80% das mães que eram chefes de família não tinham Ensino Fundamental completo e tinham filhos menores de 15 anos. Em 2010, a proporção de mulheres com esse perfil havia subido para 17,23% das mães chefes de família. Neste sentido, Paraná e Londrina seguem a tendência nacional. No Estado, no mesmo período, o índice foi de 10,19% para 14,47%, e em Londrina, de 10,98% para 13,42%.
O Atlas Brasil, cuja versão mais recente foi divulgada em julho, é realizado em conjunto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Fundação João Pinheiro e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A diarista Roseli Ramos Xavier, de 37 anos, moradora da Zona Norte de Londrina, tem cinco filhos. Os três mais novos, Fernando, de 14, William, de 13, e Ana Beatriz, de 10, moram com ela – o mais velho, Jonathan, de 21, é casado, e Ana Carolina, de 18, mora com o avô.
Exceto pelo auxílio de programas sociais, Roseli sustenta a casa sozinha. Tem que se desdobrar entre o trabalho e a criação dos filhos. "Eu sempre digo que, a gente tendo humildade e dignidade, sempre encontra apoio. Meus filhos, graças a Deus, nunca tiveram problema com droga, nunca roubaram", afirma.
Entretanto, Roseli acredita que faltam opções, como oferta de cursos profissionalizantes, para que os filhos façam alguma atividade fora do horário escolar quando ela não pode estar em casa. "A gente fica insegura. Mas sempre tem um vizinho que fica de olho", explica.
Especialistas apontam a vulnerabilidade gerada por situações como a vivida pela família de Roseli. "No Brasil, em geral, houve um crescimento muito grande das famílias com mulheres como única referência. O que se verifica é que, quanto mais pobreza, há mais famílias nessa condição", descreve Cássia Maria Carloto, professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Como as mulheres são responsáveis pela provisão econômica e também pelos cuidados na vida doméstica, elas ficam sobrecarregadas. Muitas vezes, não contam com estrutura de serviços de apoio, como creches e escolas em período integral."
Cássia aponta que essas mães, pela baixa escolaridade, "têm poucas opções para terem autonomia econômica", e são obrigadas a trabalhar em empregos que pagam pouco ou em serviços precários e eventuais – os chamados bicos.
Essa vulnerabilidade pode gerar efeitos na vida dos filhos. "Há dificuldades para romper esse padrão de risco e vulnerabilidade. Para crianças e jovens, esse resultado é sempre mais perverso, pela violência e outras questões", afirma a professora.

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