O Jardim União da Vitória (zona leste) já foi o que os jardins João Turquino e Maracanã são hoje para Londrina: símbolo de miséria e violência. Quase 16 anos depois da primeira ocupação, o União da Vitória – do 1 ao 6 – é um dos bairros mais populosos da cidade. Estruturado, tem asfalto, água, luz, creche, escola, posto de saúde, linhas de ônibus e um comércio em expansão. Poderia ser um bairro pobre e feliz. Não é.
O bairro ainda não escapou da violência e discriminação. Os cerca de 12 mil moradores continuam na batalha diária, buscando o emprego cada mais escasso e que se torna mais difícil quando o nome do bairro é citado. ‘‘É só falar que moro aqui que a cara da pessoa muda. Já perdi muito emprego bom por causa disso’’, diz a doméstica R.G, 32 anos, que pediu para não ser identificada.
Ela tem medo de mostrar o rosto no jornal e depois sofrer represálias dos vizinhos. ‘‘Ninguém gosta de dizer que mora aqui. Mas, se sair no jornal uma pessoa falando mal, eles ficam tudo contra, dizem que a gente está difamando’’, justifica.
O maior sonho de R. é se mudar de Londrina. Casada, com dois filhos, ela diz que só mora no União da Vitória porque é obrigada. ‘‘Minha patroa comprou esta datinha e fez este barraco para mim. Mas seu tivesse condições, saía daqui para nunca mais voltar’’.
O marido está desempregado e ela sustenta a casa com os R$ 200,00 que ganha por mês. Para ela, o local não é um lugar bom para criar os filhos. ‘‘A gente vê cada coisa aqui que até Deus duvida. Isso aqui é dominado por traficantes e ladrões. Até a polícia tem medo de vir aqui’’, afirma.
R. diz que não quer ser injusta e que existe muita gente boa no bairro. ‘‘Aliás, é mais gente honesta que bandido. O problema é que os bandidos mandam e a gente cala por medo, n钒. Ela diz que, como ela, o sonho da maioria é ir embora do local.(T.E)

mockup