A curto prazo, reduzir despesas, aumentar a arrecadação e investir em obras. A longo, encontrar uma vantagem competitiva para o município, como uma nova solução logística. Essas são as propostas do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para fazer Londrina crescer novamente. Ele foi um dos debatedores do painel sobre os desafios econômicos para interior, durante a primeira edição do EncontrosFolha, realizado quinta-feira passada no Hotel Blue Tree. Além do prefeito, participaram como debatedores o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira, o consultor de negócios, Marcelo Mafra, e o diretor Técnico da Agência Paraná de Desenvolvimento, Henrique Ricardo dos Santos.
No mesmo evento, o ex-ministro e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo de Tarso Almeida Paiva, deu palestra sobre os desafio das economia brasileira a partir de 2015. O encontro foi realizado em parceria com a FDC e JValério Soluções Empresariais e teve patrocínio da UniFil.
"Não conheço cidade que, ao longo de 79 anos, se desenvolveu como a nossa. Um dos motivos foi a estrada de ferro, que, à época (do ciclo do café), era uma vantagem competitiva para escoar a produção", disse o prefeito. Com o modal rodoviário sucateado e o início de cobrança de pedágios, segundo o prefeito, a cidade ficou ilhada.
Kireeff contou que a Prefeitura tem conseguido fazer economia graças à implantação do Programa de Modernização de Gestão Pública, contratado no Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial (INDG). "E, em curto prazo, vamos lançar um novo plano de eficiência administrativa", afirmou.
Ele enumerou uma série de investimentos que teriam o poder de aquecer a economia local. "O BRT (corredor exclusivo de ônibus) deve ampliar a competitividade de Londrina. Estamos investindo em mobilidade urbana, com duplicações de vias, construção de escolas e creches, o que irá estimular a construção civil", ressaltou. O BRT deve começar a ser construído em 2015.
Para Kireeff, as obras de escolas e creches ampliarão a oferta de mão de obra na cidade. "Muitas mulheres ainda são impedidas de trabalhar porque faltam vagas em creches", disse. Obras de mais 7,5 mil unidades habitacionais do Plano Municipal de Habitação também vão ajudar, na visão do prefeito, a incentivar a atividade econômica. "São R$ 750 milhões entre recursos próprios e do Programa Minha Casa Minha Vida", afirmou.
Kireeff também disse que irá lançar um plano industrial ainda neste mês. E que este plano definirá medidas para incentivar a atração de empresas e fará uma revisão do marco regulatório que dispõe sobre a instalação de empreendimentos.
Após a participação do prefeito, foi a vez do reitor da UniFil, que criticou justamente o marco regulatório citado pelo prefeito. Ferreira disse que é "muito difícil empreender" em Londrina e reclamou que a Prefeitura demora a conceder licenças e alvarás. A universidade inaugurou recentemente seu Hospital Veterinário, na zona sul, mas ainda não conseguiu alvará permanente da obra devido à demora para aprovação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). "As coisas enroscam na Prefeitura", desabafou.
O reitor afirmou que Londrina não é uma cidade receptiva à iniciativa privada. E criticou entidades representativas dos empresários que, em 2012, fizeram uma campanha pela abertura de cursos de engenharia em Londrina. "Procuraram as universidades públicas e foram até o governador para pedir as engenharias, que acabaram sendo criadas na Universidade Tecnológica Federal. Não foram nem consultar a UniFil sobre isso", reclamou.
Ferreira apresentou dados sobre a educação na cidade e defendeu investimentos na área para fortalecer a economia. "Não há falta de mão de obra qualificada em Londrina porque há 50 mil jovens e adultos frequentando os bancos universitários", ressaltou.
De acordo com o reitor, os investimentos globais em educação no município chegam próximos de R$ 1,4 bilhão, considerando todos os tipos de escola. "É um setor que educa e gera mão de obra para nós e para várias cidades", destacou. Ele contou que as perspectivas para a educação são boas, mas repetiu que não é fácil investir em Londrina. "Montar uma nova escola ou ampliar a já existente não é tarefa fácil", afirmou, em referência à necessidade de aprovação de EIV.

DEPOIMENTOS

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| Foto: Fotos: Saulo Ohara
"Isso é o que precisávamos em Londrina, uma cidade com muito potencial, mas que está com a autoestima baixa. É o momento de retomarmos o desenvolvimento da nossa cidade. Por isso quero parabenizar o Grupo Folha e seus parceiros. Acho que o foco agora deve ser a retomada do Plano de Desenvolvimento Industrial e os investimentos em educação." Kimiko Yoshii, empresária
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"O EncontrosFolha é uma ótima oportunidade de reflexão. Nunca a iniciativa privada trabalhou tanto para levantar Londrina, mas o setor público está travando o processo. E não só na esfera municipal, mas na estadual e federal também. O evento da FOLHA é o início de um processo que não pode parar por aí." Ary Sudan, vice-presidente regional da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep)
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"A iniciativa é bastante promissora. Mas temos que tomar cuidado hoje para não concentrarmos esforços para produzir mais do mesmo, não podemos esquecer do que já foi feito no passado. O que precisamos, daqui para a frente, é encontrar formas de desatar os nós." Rosi Sabino, coordenadora da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec)
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"É muito válido uma entidade da importância da FOLHA trazer agentes produtivos que possam pensar e discutir o desenvolvimento. É preciso profissionalizar os processos de gestão, há muita morosidade e burocracia na análise de projetos. Há uma clara necessidade de se criar uma agência que não se envolva nos processos burocráticos." Gerson Guariente, vice-presidente do Sinduscon
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"Tínhamos um cenário mais positivo e não nos preparamos para as necessárias mudanças. Ficou claro que é preciso mudar a forma de gestão. É uma providência que o brasileiro tem que tomar nas urnas. Em Londrina, precisamos de mais industrialização, não dá para continuar dependendo do setor primário." Ludinei Picelli, administrador de empresa e leitor da FOLHA
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"O evento foi fantástico. O envolvimento das lideranças da comunidade proporciona a reflexão de para onde realmente a cidade quer caminhar. Os empecilhos são grandes, a legislação é complexa, mas estas discussões abrem caminhos para que possamos reduzir a burocracia e aumentar as possibilidades de atrair investimentos" Almir Gaspar Schenfeld, gerente de Negócios do Sesi/Senai em Londrina



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