Com o fim do ciclo cafeeiro, Londrina apostou na sua vocação para o setor de serviços e se esqueceu de pensar em industrializar-se. A cidade vive um momento de estagnação e precisa se reinventar, pensando nos próximos 50 anos. Esse é o diagnósticos feito pelo consultor de negócios, Marcelo Mafra, durante o EncontrosFolha.
Ele defendeu um planejamento estratégico para Londrina como os que são feitos para as empresas, com o estabelecimento de visão, missão e metas. "Precisamos analisar nossos fatores críticos, nossos pontos fracos e fortes", afirmou. Mafra disse que a logística é um grande gargalo para Londrina, devido à distância do porto, mas que a cidade não pode se render à essa fraqueza.
O consultor defendeu um "olhar" mais global. "Se ficarmos olhando para a vizinhança, ficaremos no nível dela. Londrina já foi a Capital do Café. E devemos procurar algum valor que nos coloque no mapa mundial de novo", disse. O consultor usou de metáforas para definir a situação da cidade. "Às vezes, podemos pensar que somos um barquinho meio à deriva. Mas Londrina é um transatlântico ancorado", declarou.
Mafra defendeu o resgate do Plano de Desenvolvimento Industrial (PDI), elaborado na segunda metade dos anos 90 e não colocado em prática. Ele faz o trabalho de revisão do plano a convite da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas (Sindimetal) e do Sindicato da Construção Civil (Sinduscon). "Quem voltar a pesquisar o PDI verá que o modelo proposto é plenamente executável hoje. Só precisamos atualizar os dados", disse. O consultor ressaltou que a cidade precisa criar uma agência de desenvolvimento industrial. E que o PDI deve se tornar torne lei municipal,. com modelo de governança definido.
No trabalho de resgate do PDI, Mafra disse que as entidades contam com o apoio da Paraná Desenvolvimento, por meio de convênio assinado recentemente com a agência.
O diretor técnico da Paraná Desenvolvimento, Henrique Ricardo dos Santos, confirmou a parceria. Segundo ele, o principal objetivo da agência estadual, "ainda pouco conhecida", é levar desenvolvimento para o interior. "Nosso trabalho é identificar vocações e trabalhar para levar indústrias aos municípios", contou.
Ele elogiou o fato de Londrina "ter mão de obra qualidade", mas admitiu que os empresários com os quais conversa não pensam em investir longe do porto. "100% deles querem ficar perto de Paranaguá", relatou Santos afirmou que o desafio do interior é compensar a questão logística com inovação.

mockup