Os autistas formam outro grupo de excluídos da sociedade, desrespeitados em seus direitos como cidadãos. De acordo com dados de 1999, eles são mais de 170 mil brasileiros e em Londrina, mais de 350. Vulneráveis e indefesos perante as regras sociais, já que não compreendem conceitos abstratos, não estão amparados por leis e nem sequer são citados na Constituição.
Em Londrina, os autistas enfrentam o mesmo problema dos paralisados cerebrais graves, no que diz respeito a um atendimento público. Famílias carentes se vêem obrigadas a deixar seus filhos autistas escondidos em casa, já que não encontram respaldo na sociedade.
Antônia Augusta, mãe de Gabriel, um autista de 8 anos, criou em fevereiro de 1999 a Associação Londrinense dos Meninos Autistas (Alma), mas enfrenta o mesmo problema que a associação de paralisados cerebrais: a falta de uma sede para começar atender. A Alma já tem 36 autistas cadastrados com idades entre três e 40 anos.
A associação já conseguiu o registro, a filiação à Federação Paulista de Autismo, de São Paulo e montou sua equipe. ''Já tenho 12 pessoas que preparei com estágio e cursos especializados em São Paulo'', afirma Antônia Augusta. ''Falta conseguir um local para atender''.
Hoje existem serviços particulares, segundo Antônia Augusta, dos quais as famílias carentes estão excluídas. ''Quem não tem condições de pagar deixa os filhos em casa, outros buscam atendimento fora de Londrina'', afirma. No contato com estas famílias, a presidente da Alma detectou outra necessidade: um local para atender autistas órfãos.
''Dentro da Alma queremos criar a Morada do Autista Órfão'', explica. Sem condições de viver sozinhos; quando perdem seus cuidadores, os autistas ficam desamparados.
O autismo se apresenta nos graus brando, moderado, grave, severo profundo, além da síndrome de asperger. Os aspergers possuem potencialidades para cálculos matemáticos, conceitos espaciais e música, podendo até chegar à universidade.
Os brandos podem ser alfabetizados e inseridos no mercado de trabalho. Já os graves e severos profundos conseguem apenas uma condição de dignidade, conquistando sua independência nas atividades básicas, como: tomar banho e comer.
Os sinais de autismo não detectados através de exames, mas da observação sistemática e criteriosa do comportamento da criança. Entre os indicadores da doença estão: dificuldade de comunicação, relacionamento e imaginação; busca frequente de isolamento, dificuldade de contato olho no olho, estereotipias (movimentos repetitivos de mãos, braços, pernas, cabeça, corpo)
Crianças que agem como se fossem surdas, não temem perigos reais, mas ficam amedrontadas diante de barulhos inofensivos, como o choro de um bebê; também podem ser autistas.
Os portadores de autismo apresentam algumas características específicas, independente do grau da doença: não tem teoria da mente; não tem formulação de empatia; não tem coerência central e tem dificuldades com as quatro funções executivas: organizar, criar, controlar impulsos e perceber a passagem do tempo.

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