Aumento não poupa trecho na Mata Atlântica
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sábado, 28 de abril de 2001
De Curitiba 
A velocidade na Serra do Mar, onde ocorreu um dos mais graves acidentes com trem no ano passado, não foi alterada, mantendo-se em 25 km/hora. No dia 23 de setembro de 2000 um trem da ALL descarrilou e derramou 4 mil litros de óleo diesel perto da cidade de Morretes, no Litoral do Paraná. O produto atingiu o Rio Caninana, afluente do Nhundiaquara.
De acordo com Edson Araújo, da ALL, o trecho da Serra até permite aumento de velocidade. As limitações nesse caso são técnicas. A capacidade de frenagem dos trens impede a prática de uma velocidade maior. Não trata-se de problemas na linha, disse Araújo, lembrando que o trecho da Serra é um dos mais bem conservadores da malha.
Porém, se não aumentou na Serra, a velocidade foi reajustada entre Paranaguá e Morretes, dentro da Mata Atlântica. O aumento foi de 25%, passando de 40 para 50 km/hora. Para Tiaraju Mesquita Fialho, biólogo-técnico da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), a inicitiva da ALL causa preocupação, principalmente porque a Mata Atlântica é uma área sensível e de difícil recuperação.
Na avaliação de Tiaraju, com o aumento da velocidade há maior possibilidade de acidentes, colocando em risco a área de florestas tropicais mais ameaçada do planeta. Das 202 espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil, 171 estão na Mata Atlântica, que abriga 1.361 espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
Por conta do Porto de Paranaguá, essa é uma das rotas mais importantes do ponto de vista econômico. O tráfego nesse trecho, levando em conta ida e volta (Curitiba/Paranaguá), fica entre 1,2 mil e 1,4 mil vagões/dia.(G.F.)


