Dorico da SilvaPerfeiçãoO empresário Luiz Cabral mostra o organzim, o fio de seda mais perfeito e mais caroPor trás de todas as tramas da Fiandeira está o empresário Luiz Cabral, que aportou em Andirá há dois anos. Com ele vieram as máquinas da tecelagem que possuía em São Paulo e um vasto currículo empresarial no setor. Veio, entre outras coisas, para ficar perto da Bratac, ‘‘a empresa que produz o melhor fio de seda do mundo’’ , garante ele.
Dos tempos da produção paulista, Cabral lembra que suas sedas fizeram algumas incursões nas passarelas de moda pelas mãos de estilistas como Renato Loureiro e Andrea Saleto e até do italiano Giorgio Armani. Depois de uma pausa nessa área, o empresário afirma que pretende voltar ao mundo fashion, produzindo sob encomenda. Pedidos é que não faltam.
O problema, segundo ele, é treinar mão-de-obra suficiente para atender à demanda de tecidos - além de seda (99% da produção), a tecelagem fabrica algodão e linho (1%) para o setor de decoração. Mesmo assim, a produção atual da Fiandeira não chega a atender um sexto da demanda, que é de 30 mil metros mensais. Só para exemplificar, Cabral revela que quando montou a tecelagem em Andirá, contratou 100 funcionários. Destes, apenas 20 conseguiram aprender o ofício e continuam na fábrica, somados a outros dois funcionários superespecializados, ‘‘importados’’ de São Paulo a peso de ouro. Para completar o quadro e atender o mercado seriam necessários mais 130 empregados.

A mistura de fios cria a trama da seda: processo une artesanato à indústria Cooperativa Ao garantir que a falta de funcionários especializados é o grande entrave para aumentar a produção, Luiz Cabral diz que já tinha conseguido que o Senai de Americana fosse para lá treinar a mão-de-obra, a um custo de R$ 35 a R$ 40 mil mensais. ‘‘Infelizmente não consegui apoio financeiro da prefeitura de Andirá. Agora, o governo do Estado quer investir R$ 13 milhões em Nova Esperança para trazer uma multinacional de fiação de seda, numa região que já tem a Bratac e a Cocamar. Náo dá para entender’’, lamenta ele.
Apesar disso, Luiz Cabral ainda tem projetos para investir na região. Um deles é a criação de uma cooperativa de 600 trabalhadores, a maioria trabalhando em casa na manufatura de fios e tapetes para exportação, uma parte feita à mão e a outra, no tear. Como matéria-prima, fios derivados da bôrra, um subproduto da seda que ainda hoje é desperdiçado no Brasil - cerca de 40 toneladas são jogadas no lixo, mensalmente. Cada trabalhador teria um rendimento mensal de R$ 200,00 a R$ 300,00, dependendo da produção. Para implantar o projeto, que inclui treinamento e aquisição de teares, são necessários R$ 600 mil.

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