Curitiba - Um local de passagem, porém, familiar e acolhedor. Essa foi a proposta pensada pela Rede Marista de Solidariedade (RMS) para o "Estação Casa", espaço destinado a atender os filhos pequenos das presas da Penitenciária Feminina do Paraná (PFP), em Piraquara. "Estação porque é transitório. As crianças estão ali apenas por um tempo, em razão de terem nascido sob a tutela do sistema prisional. E Casa porque queremos fazer desse trânsito algo próximo de um lar", explica Patrícia Romero, assessora da RMS e uma das responsáveis pelo projeto.
Apesar de, segundo a diretora da PFP, Rita Naumann, existir há cerca de 20 anos, até pouco tempo atrás a creche da unidade não oferecia atividades pedagógicas aos pequenos. A rotina deles se resumia a dormir, sob cuidado das agentes penitenciárias, acordar, mamar e ir para os colos das mães, cuja permissão para ficar no estabelecimento se estende das 5h30 às 19h, momento em que elas são levadas de volta para as celas. "A premissa maior (das penitenciárias) é a segurança. Não foram pensadas para as crianças, e sim para colocar pessoas presas", diz Patrícia.
Com o auxílio dos estudantes do programa Ciência e Transcendência, da Pastoral da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que já desenvolviam algumas ações na PFP, e amparada em um diagnóstico da consultoria Move Social, a RMS decidiu propor uma parceria. Desde outubro de 2014, uma equipe de cinco profissionais, entre educadores, psicólogos e assistentes sociais, realiza uma série de intervenções, que incluem adequações físicas, pedagógicas e de incidência política.
"A proposta de atendimento vai além da educação infantil. Queremos atender essa criança na sua forma mais plena – questão de alimentação, de saúde, lazer... Hoje, o cardápio disponibilizado a elas já é mais adequado, não é voltado só ao adulto", explica a assessora, que também ressalta a existência de uma rotina e o aumento na confiança das mães como importantes avanços. Embora ela considere a situação na PFP melhor do que a encontrada em muitos Estados brasileiros, onde bebês "vivem em condições completamente insalubres", ainda há desafios a serem enfrentados.
Tornar as revistas menos vexatórias e ampliar a convivência dos bebês com outros familiares, de fora da cadeia, são algumas das metas previstas. "Como fazer com que a gente não peque no romantismo, porque sabe da segurança, mas também atenda aos direitos? Por exemplo: conhecer uma árvore ou um cachorro, coisa que parece simples? Você tem um espaço totalmente muralhado e (a criança) não sabe o que existe por trás dele." (M.F.R.)

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