ATENÇÃO MOTORISTA Menos carros e mais mortes
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sábado, 19 de maio de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
A violência no trânsito aumenta descontroladamente a cada ano nos grandes centros, enquanto nas cidades pequenas a tranquilidade continua imperando em ruas, avenidas e estradas, certo? Errado. Os dados oficiais mostram que não é bem assim. Estatísticas da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) mostram que o número de mortes no trânsito paranaense está aumentando mais nas regiões do Estado em que a frota de veículos é menor.
De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), no início deste ano o Paraná possuía uma frota de quase 5,6 milhões de veículos automotores. Das 22 áreas integradas de segurança pública em que a Sesp divide as estatísticas de criminalidade do Paraná, as 11 com maiores frotas (a cidade de Curitiba e as regiões de São José dos Pinhais, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, Toledo, Campo Mourão, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Paranavaí) somavam 80% dos veículos. Os outros 20% estavam distribuídos nas 11 regionais restantes: Apucarana, Umuarama, Guarapuava, Jacarezinho, Pato Branco, Cornélio Procópio, São Mateus do Sul, Paranaguá, Telêmaco Borba, União da Vitória e Laranjeiras do Sul.
Embora as 11 regionais com mais veículos continuem concentrando a maioria das mortes no trânsito do Paraná, a participação delas no total de óbitos está diminuindo.
No ano de 2009, a Polícia Civil registrou 2.080 homicídios culposos (sem intenção de matar) no trânsito paranaense. As 11 regionais com menos veículos responderam por 23% dessas mortes. Em 2011, a participação das regionais com menor frota aumentou para 27%, embora concentrassem apenas 20% do total de veículos emplacados no Estado. Elas foram as principais responsáveis pelo aumento geral de 8% (o total foi de 2.253 óbitos no ano passado no Paraná) no número de mortes no trânsito paranaense na comparação entre os dois anos. As 11 áreas com mais veículos tiveram um crescimento de apenas 2% do número de óbitos, enquanto nas 11 regiões com frota menor o aumento foi de 28% - portanto, 14 vezes mais.
Dificuldades
O prefeito de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Gabriel Jorge Samaha (PPS), o Gabão, destaca que as prefeituras de cidades pequenas têm dificuldades para atuar na fiscalização e educação no trânsito. ''Há o debate da municipalização do trânsito, mas ela só se viabiliza se os municípios pequenos também tiverem estrutura para implementá-la: corpo técnico, agentes de fiscalização, radares. Os municípios médios e grandes têm mais condições para isso'', diz Gabão, que afirma que o aumento do número de acidentes representa outro desafio para os municípios.
''Não podemos esquecer do grande crescimento da frota de veículos que o Brasil teve nos últimos anos. Com mais veículos circulando, o maior número de acidentes representa também um gargalo para os serviços de saúde'', afirma o prefeito. Gabão ressalta ainda que a defasagem do efetivo policial no Paraná, reconhecida pela própria Sesp no ano passado, vai de encontro ao desafio dos municípios menores de municipalizar o trânsito.
''Criou-se o termo municipalização para tudo aquilo que o Estado não consegue dar conta. Se falta segurança, cria-se uma guarda municipal. Se falta policiamento de trânsito, municipaliza-se o trânsito. Independente de juízo de valor, se essa situação é boa ou ruim, os municípios só podem assumir essas responsabilidades se tiverem condições para isso'', argumenta.
Procurada pela FOLHA, a Polícia Militar do Paraná informou, via assessoria de imprensa, que as ações de trânsito são planejadas pelos comandos de cada um dos 23 batalhões e das nove companhias da corporação, e portanto variam a cada unidade. Também justificou que a PM não é a única responsável pela fiscalização de trânsito e que os municípios e o Governo Federal também têm atribuições, respectivamente através dos órgãos municipais de trânsito e da Polícia Rodoviária Federal.
O Paraná possui apenas um batalhão especializado em policiamento de trânsito, que atende exclusivamente a cidade de Curitiba. Segundo o Denatran, somente 35 dos 399 municípios paranaenses têm órgãos específicos integrados ao Sistema Nacional de Trânsito.


