ATÉ QUANDO? Sob a rotina do medo
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sábado, 14 de abril de 2012
Carolina Avansini <br>Reportagem Local 
A arma apontada para a cabeça durante um assalto é uma lembrança mais aterrorizante na memória de uma atendente de lanchonete da Zona Norte de Londrina. Com medo de se identificar por temer represálias dos assaltantes que agem na região, ela conta que foi vítima de seis dos onze roubos sofridos pelo estabelecimento nos últimos anos.''Eles chegam, sentam, comem e depois assaltam'', aponta a mulher, que trabalha esperando o próximo roubo acontecer.
Historias parecidas se repetem em outras regiões da cidade. Dados do 5º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Londrina indicam que no 1º trimestre de 2012, em comparação ao mesmo período do ano anterior, o índice de roubos cresceu 4% no Município, enquanto os furtos caíram 18%. A proporção também se verifica em relação aos roubos de carro, que aumentaram 3%, enquanto os furtos reduziram 26%. Para derrubar as ocorrências, a polícia recomenda adoção de tecnologias e comportamentos que poderiam derrubar as ocorrências.
Depois de ter sido vítima por mais de uma vez, porém, o consenso é de que a vida nunca mais volta a ser a mesma.
No comércio do bairro onde trabalha a atendente de lanchonete, assaltos com uso de arma fazem parte da rotina e tiram o sono dos comerciantes. ''Na hora fico paralisada, sem reação. Depois que eles (os assaltantes) vão embora, tenho crises de tremedeira e choro'', relata. Ela ainda convive com o agravante de trabalhar a noite e confessa que não fica tranquila. ''Se passa gente estranha, que eu não conheço, já fico assustada.'' Com medo, o patrão prefere não acionar a polícia. ''Eles ameaçam voltar no caso de fazermos boletins e a gente acaba ficando com muito medo.''
Na mesma região, o comerciante que já sofreu dois assaltos teme pela segurança da família. Numa das ocasiões, a filha adolescente presenciou a invasão e ficou nervosa com a insistência do ladrão em levar mais dinheiro do que havia. ''Me preocupo, porque essas pessoas matam por muito pouco.''
Conforme o morador, quando as viaturas faziam rondas constantes no bairro, os assaltos praticamente inexistiam. ''Sem polícia, os bandidos apareceram.'' Questionado sobre adoção de medidas para evitar novos ataques, ele diz que procura deixar pouco dinheiro no caixa e dá preferência para pagamentos com cartão ou com boleto. ''Fora isso, a gente reza para que não aconteça de novo.''


