ATÉ QUANDO? Ladrões urinam em caixa d'água de creche
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sábado, 14 de abril de 2012
Carolina Avansini <br>Reportagem Local 
As grades e cadeados não foram suficientes para deter a ação de ladrões que por cinco vezes apenas no mês passado arrombaram e furtaram o Centro de Educação Infantil (CEI) Nossa Senhora do Carmo, no Parque Ouro Branco (Zona Sul de Londrina). ''Não consigo mais dormir por medo de novos furtos'', desabafa a presidente da creche, que dedica boa parte do próprio tempo para conseguir o dinheiro para cobrir os prejuízos. ''Eles (os ladrões) esperam a gente recuperar algumas coisas e voltam para roubar de novo'', diz.
Nos cinco episódios, foram furtados desde furadeira e máquina de cortar grama até a aparelhagem de som, DVD e máquina fotográfica. Por duas vezes foram levados fardos de alimentos, carne e leite usados na merenda. ''Além de roubar, eles ainda praticaram vandalismo, fazendo xixi na água das crianças e passando fezes na geladeira'', revolta-se.
O prejuízo causado com os furtos, conserto de portas e janelas e a instalação de grades e alarmes chegam a R$ 10 mil. Para arcar com a despesa, a diretora recorre aos pais, rifas e promoções, além de contar com doações. ''Essa história é tão absurda que muita gente não acredita que seja verdade e acaba não colaborando.''
Abalada, ela não contém as lágrimas ao confessar que não dorme por medo de novos furtos. ''Não tenho arma, não posso dormir na creche. Não tenho o que fazer'', resigna-se a presidente, que diariamente leva para casa o computador comprado a prestações por medo que seja levado. Inseguras, até as crianças temem que ''o ladrão chegue'' a qualquer momento e comem mais por medo de faltar alimentos. Pais e professores também vivem angustiados.
Para a diretora, os ladrões roubam para comprar drogas. ''Dói muito, porque eles estão tirando de crianças que precisam ser ajudadas'', diz. Sem pistas, ela lamenta que os vizinhos não se manifestem por medo de represálias. ''Tenho que cuidar da creche e ainda manter um bom relacionamento com usuários de droga da região para garantir a segurança das crianças. É um fardo muito pesado'', desabafa.
Prazo de validade
Depois de ter o carro arrombado quatro vezes, o engenheiro eletricista Thiago Campos passou a aceitar que o equipamento de som tem ''prazo de validade''. ''Cada som novo que compro dura um tempo e depois acaba roubado. Fico desanimado.'' Nem o alarme e estacionamento privado não inibem a ação dos ladrões. De acordo com a vítima, os bandidos já desligaram o alarme depois do arrombamento e, noutra ocasião, praticaram o furto a despeito do barulho do equipamento.
Para ele, a solução é mais segurança nas ruas. Ou, ao menos, o fim da impunidade. ''Os ladrões, principalmente adolescentes, nem chegam a ser presos. Parei de fazer boletim, porque os meus equipamentos nunca foram encontrados.''
Serviço - Quem quiser ajudar a creche Nossa Senhora do Carmo pode entrar em contato pelo telefone (43) 3341-1450.


