'Assunto é tratado como tabu'
Em Brasília, ao realizar o trabalho de enfrentamento à violência sexual contra crianças, a equipe do Centro de Defesa dos Diretos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca/DF) identificou a necessidade de discutir a sexualidade referente a esta faixa etária. "Existe a negação da sexualidade das crianças e adolescentes, porque o assunto é tratado como tabu. Mas eles têm direito ao desenvolvimento saudável e protegido da sexualidade, longe da violência", afirma Perla Ribeiro, coordenadora executiva da entidade.
Esse direito, segundo ela, inclui o despertar do desejo sexual por pessoas do mesmo sexo, o que começa a acontecer no final da infância e início da adolescência. A questão geracional, porém, costuma ser deixada de lado tanto nas discussões sobre a infância como no movimento GLBTTT. "O processo de descoberta da sexualidade precisa ser protegido para que se desenvolva de forma saudável", enfatiza.
Segundo ela, pesquisa realizada em 2008 na rede de atendimento do Distrito Federal identificou que crianças e adolescentes são trabalhados de uma só forma, apesar das diferenças. "Os próprios profissionais reconheceram a necessidade de discutir melhor o assunto", relata.
A crítica se estende às famílias, que criam barreiras quando descobrem que o filho é homossexual ou transgênero. "O adolescente não se sente aceito, vai para as ruas e acaba vitimizado pela violência", avalia. "Eles acabam se identificando com os grupos que estão nas ruas, na prostituição, se colocando em risco. E quando acabam atendidos por serviços específicos, a resposta é sempre punitiva, não se reconhece que eles estão em situação de exploração sexual", completa. Esta realidade destaca a necessidade de oferecer a esses meninos e meninas o suporte de uma rede de proteção preparada para lidar com eles. (C.A.)





