A criação de uma rede fluvial de transporte internacional na bacia do Rio Paraná, que abrangeria os estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul e cidades paraguaias e argentinas, sempre foi o sonho de muitos ''marinheiros de água doce'', apaixonados pela vida sobre um convés. Mas as barreiras naturais (antes, Sete Quedas) e criadas pelo homem (agora, Usina de Itaipu) transformaram esta idéia em mero devaneio desde o início da colonização do Oeste do Estado, lá pelos idos de 1890.

Mas ao contrário do nosso País, Argentina e Paraguai provaram que as hidrovias são viáveis, tanto que as ''chatas'' cargueiros flutuantes com capacidade para 250 toneladas trafegam tranquilamente pelos rios Paraguai, Paraná (abaixo da Itaipu) e Rio da Prata (fronteira Aragentina/Uruguai). Diferente da maior hidrelétrica do mundo, a Usina Binacional de Yaciretá (fronteira Argentina/Paraguai, também construída no Rio Paraná) oferece condições de transbordo das barcaças graças a uma eclusa, um ''elevador de água'' que facilita a viagem dos graneleiros fluviais que saem da tríplice fronteira e seguem até os portos de Montevidéu e Buenos Aires.

O Brasil possui boa estrutura na Hidrovia Paraná-Tietê, onde o navegante pode embarcar em Guaíra, seguir pelo ''Paranazão'', passando pelas eclusas das usinas de Jupiá (Três Lagoas-MS) e Ilha Solteira (Ilha Solteira-SP), percorrer o canal artificial de Pereira Barreto (SP) e chegar ao Porto de Anhumas (região metropolitana de São Paulo). O curioso é que os maiores usuários deste trajeto são os importadores paraguaios. Somente os portos de Salto del Guairá (próximo à Guaíra) e de Hernandárias (atracadouro chamado ''La Paz'' e distante 25 quilômetros de Foz), movimentam cerca de 120 mil toneladas de grãos todos os anos (o transporte fluvial abaixo da Itaipu é bem maior).

A questão é complexa e envolve empresários, autoridades internacionais e, é claro, estivadores e navegantes. Nesta reportagem, a Folha resgata a história da zona portuária tida como uma das movimentadas da América Latina. Fatos que podem servir para motivar um sistema que reduza os custos de transporte em até 40%, para atiçar a curiosidade do jovens marinheiros ou simplesmente para relembrar a ''época de ouro'' dos moradores de Puerto Presidente Franco (Paraguai) Puerto Iguazú (Argentina) e Vila Iguaçu (antiga Foz do Iguaçu). Todos a bordo!

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