Arranjo familiar favorece carreira de médica
A famosa "dupla jornada" imposta às mulheres, que acabam assumindo responsabilidades domésticas e o trabalho fora de casa sem ajuda do marido no cuidado com a casa e com os filhos, é uma das grandes injustiças relatadas por quem estuda a equidade de gênero no mercado de trabalho. Para a ginecologista e obstetra Marlene Nonaka, porém, essa é uma realidade que não existe. Por conta das responsabilidades impostas pela profissão, o que inclui horários confusos e disponibilidade para atender emergências, a administração da casa e dos cuidados com a filha Mariana, hoje com 22 anos, sempre ficou a cargo do marido, Douglas Calderon Martins.
Os dois se conhecem desde a adolescência e, segundo Marlene, o marido já sabia que ela queria ser médica e a apoiou desde os tempos de faculdade e residência. Durante 19 anos, Douglas aliou as responsabilidades domésticas com o emprego de gerente em uma empresa de turismo. Quando veio a imposição de se mudar para Curitiba e, assim, continuar no emprego, o casal decidiu que a demissão era a melhor escolha para a vida familiar.
Desde então, ele dedica-se à administração do lar, função para a qual, aliás, tem muito mais afinidade que a esposa. "Ele trabalha muito", elogia Marlene, destacando que o arranjo familiar causa curiosidade e até mesmo críticas baseadas em preconceito. "Ninguém estranha quando é a mulher que fica responsável pela vida doméstica", compara.
Quando a filha era criança, o pai sempre acompanhou atividades escolares, comprou presentes e levava em festinhas de aniversário. "Ele é a melhor pessoa para administrar a vida de nós todos", acredita a médica, que graças ao marido teve a oportunidade de construir uma carreira na medicina com a tranquilidade de saber que a filha estava sempre bem cuidada.
Ciente de que o marido abriu mão da profissão para apoiar o crescimento da esposa, Marlene comenta que a combinação deu certo porque eles sempre conversaram para selar os acordos da família. "É claro que também tem muito amor", reconhece. (C.A.)





