O presidente da Autoridade Palestina (ANP), Yasser Arafat, disse ontem estar totalmente disposto a começar ''negociações sérias'' com Israel. O líder palestino expressou sua ''disposição total de começar agora mesmo negociações sérias com o governo israelense sob supervisão internacional'' e pediu que Israel aceite observadores neutros para garantir um eventual cessar-fogo. Arafat deu essas declarações em sua intervenção no início do segundo dia do Fórum Formentor sobre o Euro-mediterrâneo, realizado na Espanha, em presença do ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres.
O presidente palestino pediu o cumprimento dos acordos já assinados e que as tropas de Israel se retirem dos territórios palestinos ocupados. Depois de solicitar a suspensão definitiva da ''política de assassinatos que destrói a segurança e a estabilidade'', Arafat reafirmou seu total empenho em garantir a segurança.
Ele considerou que os acordos já aceitos, como os relatórios Mitchell e Tenet, são ''um terreno válido para as negociações do estatuto final e para conseguir a paz e a segurança entre os dois povos''. ''Nossa mão está estendida há muito tempo ao governo israelense para negociar com apoio e participação internacional'', insistiu.
Arafat lembrou que a ''escalada militar israelense'' foi iniciada há quatorze meses. A violência por parte de Israel provocou graves danos econômicos e a morte de civis inocentes de ambas as partes, que estão destinadas a conviver juntas na Terra Santa, acrescentou.
Além de defender o princípio de ''terra em troca de paz'', Arafat lembrou o trabalho do assassinado primeiro-ministro israelense Isaac Rabin e os ''esforços contínuos'' de Peres para salvar o processo de paz. O dirigente palestino sublinhou a legítima aspiração de seu povo de conseguir a independência nacional e fundar um país com capital em Jerusalém, e criticou a multiplicação da colonização israelense em territórios palestinos. Arafat reiterou sua condenação aos atentados de 11 de setembro e afirmou que para vencer o terrorismo é necessário pôr fim à ''injustiça histórica'' sofrida pelo povo palestino.

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