Apoio nem sempre vem na hora certa
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
De Curitiba 
Ao contrário do que a PM divulga, nem sempre os profissionais têm o apoio que necessitam. É o caso do sargento Marco Antônio Gross. Excluído da corporação em fevereiro de 1998 por indisciplina, o policial afirma que seus problemas aconteceram em decorrência do alcoolismo. Conta que começou a beber depois que entrou na PM, em 1984.
Folha - Como era a sua rotina de trabalho?
Marco Gross - Atribulada. Trabalhava cerca de 12 horas por dia, na Rádio Patrulha e depois no Tático Móvel. O cargo de 3º Sargento tem muitas responsabilidades e o trabalho de rua é estressante, pois temos que tomar decisões rápidas.
Folha - Esse ritmo te levou ao alcoolismo?
Marco Gross - Sim. Eu não bebia antes de entrar na PM, mas no trabalho temos muitas facilidades para conseguir bebida. Numa ronda, por exemplo, os comerciantes oferecem e a gente não precisa pagar nada. Eles também falam para passarmos no horário de folga. Para quem tem facilidade para dependência isso é um prato cheio.
Folha - Quando o alcoolismo começou a incomodar seu trabalho?
Marco Gross - Foi em 1996, eu comecei a ter punições. O meu superior me mandava preso só por eu chegar com cheiro de bebida.
Folha - E nessa época, algum superior te encaminhou ao SAS ou te estimulou a procurar ajuda?
Marco Gross - Não. Nunca ninguém me chamou para saber a causa do meu problema.
Folha - Quando você foi excluído?
Marco Gross - Em 1998, mas entrei com um mandado de segurança alegando que eu era alcoolista. Ganhei a causa e voltei. Fiquei até agosto de 2000, mas a PM ganhou em segunda instância e me excluiu novamente. Agora estou desempregado, tenho família e não tenho dinheiro para sustentá-la.


