Um amor racional. É assim que Decebal Andrei, 81 anos, explica o que o levou a adotar uma criança de dez anos, aos 74 anos de idade. Aposentado e pai de três filhos crescidos e diplomados, Andrei, na época, estava viúvo há pouco tempo. Ele ficou sensibilizado ao assistir a um programa de TV, em que um freira do Rio de Janeiro lamentava a falta de interesse da maioria dos casais em adotar crianças mais velhas.
A idade não impediu que ele tomasse aquela atitude. ‘‘Tinha consciência que fui um bom pai para os meus filhos e, apesar da idade avançada, acreditava que poderia ainda contribuir de forma significativa na educação de uma criança.’’ Pai e novo filho tiveram que enfrentar conflitos. ‘‘Na verdade, o mais difícil é a criança realmente ‘adotar’ você como parte da sua história. E nesse processo de aceitação e desconfiança, ela testa todos os seus limites e você precisa aprender a ser firme e tolerante’’, explica. Hoje, Bernardo tem 18 anos, está se preparando para o vestibular e enfrenta a dúvida de ser geógrafo ou ingressar na Marinha. Mas uma certeza Bernardo deixa claro ao ser questionado se é bom ter um pai: ‘‘Muito bom é ter um pai e uma mãe, que é o que ele representa para mim’’.

mockup