Tirar os jovens da zona de conforto instalada entre muros de condomínios e colocá-los como protagonistas capazes de transformar realidades é o objetivo de um projeto desenvolvido por Jaqueline Marçal e Tatiana Maia em uma escola particular de Londrina. Denominada "Programa Atitude – Empreendedorismo Social em Ação", a iniciativa levou alunos do Ensino Médio a desenvolverem projetos em cinco instituições de Londrina.
Mais do que uma simples ação solidária, eles tiveram que diagnosticar necessidades, identificar as próprias habilidades e desenvolver os projetos para cada entidade. No início, a proposta é que escolhessem apenas uma. Porém, comovidos com as necessidades de cada local, os adolescentes decidiram encarar o desafio de desenvolver projetos para todas elas. ONG Viver, E-lixo, União Para a Vitória, Casa de Maria e Casa Acolhedora foram os beneficiados. Jaqueline relata que os alunos arrecadaram R$ 10 mil na campanha McDia Feliz para a ONG Viver, deram aulas de inglês para os internos da Casa de Maria, realizaram um evento para apresentar a cultura de cinco países na Casa Acolhedora, arrecadaram duas toneladas de lixo que resultaram em dois computadores para uma entidade, através da E-Lixo, e ainda realizaram uma grande festa de fim de ano, em uma chácara, para as crianças do União Para a Vitória.
"Os 26 alunos envolvidos saíram totalmente transformados. Eles buscaram recursos, equipamentos, trabalharam estratégias de comunicação e conseguiram ser agentes de transformação", avalia, destacando que o objetivo final é que, a longo prazo, eles se tornem profissionais mais humanizados e com visão social.
Naomi Nagayama Freire, de 17 anos, coordenou o projeto de arrecadação de materiais para a E-Lixo. Com planos de estudar no exterior, ela conta que, a princípio, se interessou pelo projeto porque sabia que a iniciativa contaria pontos no currículo. Ao ter contato com realidade tão diferente, porém muito próxima do condomínio onde mora, ela admite que acabou transformada.
No projeto, ela liderou todas as ações de arrecadação de lixo eletrônico, cuidando desde a estratégia da campanha até a elaboração do material de divulgação. "Fui ao União da Vitória e conheci crianças que vivem em uma situação que eu apenas sabia que existia, mas não tinha conhecimento da realidade", diz.
Naomi conta que era apática e alienada sobre os problemas do mundo, mas depois de participar do programa se tornou mais crítica. "Pretendo continuar atuando como voluntária", planeja.
João Marcelo Guimarães Oliveira, de 16 anos, é outro integrante do programa que passou por profundas transformações após a experiência. "Liderei a ação na Casa de Maria e tive um choque de realidade quando tive que sair do 'ninho perfeito' em que vivia", conta.
A princípio, ele relata que ficou bastante comovido com a realidade das crianças. Sem se intimidar, colocou a "mão na massa" e desenvolveu um programa de aulas de inglês baseado em músicas, imagens e filmes. "Essa experiência me fez crescer. Fiquei autônomo e desenvolvi muitas habilidades, como conversar nos mais diferentes ambientes. Antes, sempre tinha alguém para resolver os problemas para mim", admite ele, que espera se tornar um "adulto melhor". "Me tornei menos individualista e com visão mais ampla do mundo", acredita. (C.A.)

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