Entre as profissões, aqueles que decidem ser policiais parecem estar mais expostos aos fatores de risco do suicídio. Pelo menos é o que acha Orélio Fontana, presidente da Associação de Praças do Estado do Paraná e que assistiu, nos últimos dois meses, o sofrimento da família e dos colegas de dois policiais que tiraram a própria vida. Segundo ele, essa tem sido a média dos últimos anos: pelo menos um suicídio mensal entre os policiais da Polícia Militar (PM) do Paraná.
Um dos motivos apontados por ele é a pressão a que estes profissionais são submetidos. Outro questionamento é sobre o Código Disciplinar da corporação, baseada no documento do exército e que, por ser muito rígido, seria incompatível com a rotina da PM. "O policial entra em contato direto com a população, ao contrário dos militares", destaca.
O perfil dos colegas que tiram a própria vida tem em comum o fato de terem muitos anos de polícia e acumularem sofrimento. "Quando eles relatam que estão com dificuldades, são chamados de ‘frescos’. Além disso, o sistema de saúde não tem estrutura para atender doenças psíquicas", desabafa.

Não preocupa
Por meio da assessoria de imprensa, a PM do Paraná informou que está engajada na campanha internacional Setembro Amarelo - que previne o suicídio -, desenvolvendo palestras, orientações e atendimentos psicológicos em todo o Estado aos militares estaduais da corporação, em suas unidades. "O problema existe, mas não apresenta índices elevados na Polícia Militar do Estado do Paraná. No entanto, como ele é real, e a complexidade da sociedade tem indicado aumento desses números, a dimensão humana da gestão do nosso pessoal insere a Polícia Militar no desenvolvimento da campanha, mas voltada para os militares estaduais e seus familiares", disse em nota o comandante-geral da PM, coronel Maurício Tortato. (C.A.)

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