O professor Vanderli Fava de Oliveira, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia (Abenge) e coordenador do Observatório da Educação em Engenharia da UFJF, aponta que o primeiro passo para o Brasil chegar aos patamares de países desenvolvidos é aumentar a quantidade de estudantes que concluem a graduação.
''Hoje formam-se menos de 50 mil profissionais por ano. Faltam engenheiros com experiência e pós-graduados e, se não aumentar a quantidade de formandos agora, no futuro o País terá que importar mais engenheiros. Nas áreas de petróleo e de telefonia móvel, principalmente, tem-se registrado importação de engenheiros'', relata Oliveira.
''Em termos de estratégia de desenvolvimento, para que o País possa ser competitivo em produtos com tecnologia de ponta, são necessários mais engenheiros com mestrado e doutorado nas áreas de automação, computação, eletro-eletrônica, bioprocessos, biotecnologia. Também para a área de produção de alimentos, hoje um dos pilares da economia'', explica o professor.

Exigências

A respeito das pós-graduações em Engenharias, Oliveira afirma que atualmente a Capes tem um sistema de avaliação que é referência em todo o mundo, mas que pode ser revisto em alguns pontos.
''As exigências para abertura de um curso de mestrado e doutorado são muito altas, o que dificulta a criação de novos programas, notadamente em regiões mais distantes do Sudeste. Não se quer que seja diminuída a qualidade, mas há necessidade de se fomentar e investir na criação de novos grupos de pesquisa que possam se transformar em programas, visto que ficar somente no crescimento vegetativo já está causando deficit'', justifica.
''Hoje, para se abrir um programa de mestrado em Engenharia, exige-se que os docentes tenham uma produção que só é possível de se contar com uma estrutura de um programa de mestrado. Talvez fosse o caso de se abrir cursos com um prazo determinado para alcançar um patamar de produção científica e tecnológica'', sugere o professor.
Oliveira também destaca o obstáculo da disparidade entre produção acadêmica e desenvolvimento de novas tecnologias. ''Estamos entre os 13 países com mais publicações de artigos do mundo, mas há mais de 50 que produzem mais patentes do que nós. Isto pode significar que geramos o conhecimento, mas não o transformamos em tecnologia'', alerta. (F.G.)

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