Ana Luisa Magalhães Amaral, 39, brasileira, viúva, seis filhas, desenhista de arquitetura e coordenadora da RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com Aids), em Santa Catarina


''Fui infectada há oito anos e meio por meu marido (morto em julho de 2000), por um acidente relacionado às drogas sobre o qual não gosto de falar. Não pude evitar o contágio de minha filha menor, Bruna, porque, naquela época, nem se conhecia essa possibilidade.

Desde 1998, atuo no Grupo de Apoio e Prevenção da Aids (GAPA) ONG pioneira que já tem 22 sucursais em todo o País). E há dois anos coordeno, em Santa Catarina, a RNP+, que tem representação nos 27 Estados brasileiros. Há ainda muita coisa errada no Brasil, famílias que ocultam os seus enfermos de Aids, por exemplo. Em meu caso, sofro uma tríplice discriminação, por ser portadora de Aids, por ser mulher e por ser negra.

Mas, me senti uma privilegiada quando estive em Durban, África do Sul, em setembro, para participar do Fórum de ONGs paralelo à Conferência Mundial contra o Racismo. Ali, presenciei algo maravilhoso: 15 mulheres protestaram a favor do direito a todos os tratamentos. Os policiais quiseram isolá-las, mas essas valentes mulheres acabaram mobilizando 500 pessoas em apoio às suas reivindicações. Isso é incomparável.''

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