ALERTA NO CAMPO - Aumenta o consumo de agrotóxicos no PR
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sábado, 12 de maio de 2012
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
O processo produtivo agrícola brasileiro está cada vez mais dependente dos agrotóxicos e fertilizantes químicos. O alerta foi feito dias atrás pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que divulgou dossiê sobre os impactos destes produtos na saúde. De acordo com o estudo, o Paraná ocupa o terceiro lugar entre os estados que mais consomem agrotóxicos, perdendo apenas para Mato Grosso e São Paulo.
Baseado em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Observatório da Indústria dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o dossiê informa que nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, enquanto o mercado brasileiro, no mesmo período, registrou um crescimento de 190%. Há quatro anos o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de insumos químicos.
Na última safra, que envolve o segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011, o mercado nacional de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo 833 mil toneladas produzidas no País e 246 mil toneladas importadas. O Brasil já é o quarto maior importador mundial de agrotóxicos e consome um quinto de toda a produção mundial, informa o coordenador do observatório da UFPR, Victor Pelaez Alvarez.
De acordo com o professor, o Observatório da Indústria dos Agrotóxicos começou a monitorar a produção na área em 2008. As atividades, vinculadas ao Programa de Mestrado e Doutorado em Políticas Públicas da UFPR, envolvem o acompanhamento das fusões, aquisições e acordos das empresas do ramo e a movimentação de agrotóxicos no país em termos de importação, exportação, produção e vendas.
O coordenador não pode revelar o volume de produção do Estado, mas informa que há seis empresas de insumos químicos agrícolas instaladas no Paraná. Só no segundo semestre de 2010 e primeiro semestre de 2011 foram comercializadas 104 mil toneladas de produtos formulados (prontos para uso), o que equivale a 13% do total vendido no país, detalha Alvarez.
Ainda segundo os dados apurados pelo observatório, o Paraná tem registrado um crescente aumento nas importações de agrotóxicos, acompanhando a evolução das importações nacionais. De 2000 a 2009, o Estado importou 5% do total nacional em valor, perfazendo US$ 347 milhões de produtos formulados. A cultura da soja é a que mais consome herbicidas, fungicidas e inseticidas químicos cerca de metade de todo o volume comercializado no País. Na sequência vêm o milho, a cana e o algodão.
O engenheiro agrônomo João Miguel Toledo Tosato, fiscal estadual da Área de Fiscalização de Agrotóxicos e Afins da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), confirma o aumento do consumo de produtos químicos nas lavouras paranaenses e aponta o abandono de práticas alternativas de controle de pragas, como o manejo integrado, como uma das causas do problema. Tosato ressalta que a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) procura controlar o comércio, a prescrição e o uso de agrotóxicos, fiscalizando estabelecimentos comerciais, as receitas prescritas e as propriedades rurais.
Além da coleta de produtos de origem vegetal para análises de resíduos e da análise de composição dos próprios agrotóxicos, os fiscais fazem palestras direcionadas a produtores, comerciantes, profissionais e estudantes de agronomia. Nos casos em que são constatadas irregularidades no uso dos agrotóxicos, em que a prescrição da receita agronômica é feita de forma incorreta ou em que a venda é realizada sem receita agronômica, são lavrados autos de infração que geram processos administrativos com aplicação de multas, garante o fiscal. As cópias destes processos, segundo Tosato, têm sido enviadas ao Ministério Público (mais especificamente ao Centro de Apoio Operacional do Direito do Consumidor e do Meio Ambiente) e para o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) para providências.
O agrônomo também destaca que a Seab, em conjunto com o Crea e Companhia de Informática do Paraná (Celepar), desenvolveu e utiliza uma ferramenta inédita no Brasil, que é o Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos do Estado do Paraná (Siagro), um banco de dados formado a partir das informações de vendas e receitas agronômicas, com o objetivo de mapear o uso dos agrotóxicos no Estado. Tosato reconhece, porém, que um controle mais efetivo depende de um número maior de fiscais. Atualmente a Seab conta com 12 engenheiros agrônomos na sede, em Curitiba, e outros 43 para atuar como fiscais de campo, em mais de 350 mil propriedades.


